Ó Senhor, nosso Deus,

como é admirável o teu nome em toda a terra!

Adorarei a tua majestade mais alta do que os céus,

pela boca das crianças e dos pequeninos.

Levantaste uma fortaleza contra os teus inimigos,

para fazer calar todo aquele que se opõe a ti.

 

Quando contemplo os céus, obra das tuas mãos,

e a Lua e as estrelas que tu criaste, penso;

que é o homem, para que te lembres dele?

Que é o ser humano, para que te preocupes com ele?

Contudo, fizeste-o quase como um deus

e encheste-o de honra e dignidade.

Deste-lhe autoridade sobre as tuas obras,

colocaste tudo sob o seu poder;

ovelhas e bois e animais selvagens;

as aves que voam no céu, os peixes e tudo

o que existe no mar.

 

Ó Senhor, nosso Deus,

como é admirável o teu nome em toda a terra!

 

Salmo 8


 

 

 

 

“Se o universo inteiro não tem sentido, nunca deveríamos ter descoberto que não tem sentido: se não existisse luz no universo, consequentemente, nenhuma criatura com olhos saberia que estava escuro. A escuridão não teria sentido.”

 

C. S. Lewis, Mere Christianity (Nova York: HarperCollins, 2001, reedição; primeira edição, 1952), p. 39. Citado por Ravi Zacharias & Norman Geisler, em Sua Igreja Está Preparada? (Rio de Janeiro, RJ, Brasil, CPAD, 2007) p. 58.


FILHOS DO ACASO?

 

            Talvez não seja exagero dizer que vivemos num tempo e numa geração sem ideais, sem bandeiras, sem causas. Há uma crise, mas ela é muito mais do que uma crise de civilização e cultura, trata-se de uma crise existencial e da essência da natureza e da identidade do homem. Ninguém sabe muito bem para onde está indo. Pior, é a identidade do ser humano que está em crise. Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Muitos enterram a cabeça na areia. Outros disfarçam a preocupação e a inquietação mergulhando no divertimento fácil e no radical gratuito. O ter e o parecer sobrepujam o ser. Mas como ser, se de imagem e semelhança de Deus o homem se vê hoje como “primo” do macaco?

 

            Na minha opinião é nítido que o problema espiritual da sociedade e do homem contemporâneo é a falta de sentido, de propósito e de valor que marca a existência humana, com todas as repercussões que daí advêm na cultura, na sociedade, na política, na economia, na moral, nos relacionamentos, nas prioridades, nas motivações, na consciência, no seio da família, no exercício profissional. Julgo que a razão de ser da vida da pessoa marca todas as dimensões da sua vida.

 

            Uma vida sem sentido representa o pior de todos os atentados à identidade humana e à dignidade da pessoa. Não existe genuína educação e formação onde não existe o fundamento da razão de ser, de estarmos vivos e de sermos quem somos. A matéria e a energia por si só, o naturalismo, seja ele filosófico ou científico, não são suficientes para alimentarem a razão de ser do homem. Valores morais e éticos só existem, de facto, quando estão ancorados num propósito que preside à vida humana. Qualquer desígnio digno desse nome tem que superar a própria morte e projectar-se para a eternidade.

 

Roubar à criança, ao adolescente, ao jovem, ao adulto e ao idoso o sentido da sua vida é um atentado e uma afronta. Não há cultura que subsista onde o absurdo, o acaso e o acidente sejam colocados por alicerce. É que eles não têm consistência, são incapazes de suportar a existência. A lei do absurdo empurra o homem para o abismo. Uma vida sem sentido, com um sentido ilusório ou com um sentido egoísta, hedonista e materialista, faz do homem um morto vivo, seja ele criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso. O presente modelo de educação e a tendência que se desenha em termos do futuro, não augura nada de positivo. É necessário reconsiderar a nossa origem, é preciso revalorizar o nosso sentido, propósito e valor.

 

            Os slogans da nossa cultura são: “segue o que sentes”, “anda pelo que o teu coração diz”, “tudo é relativo”, “ninguém manda em mim”, “não temos escolha”, “não guardes para amanhã o que podes fazer hoje”, …

 

            Sem plano, sem desígnio e sem norte, a vida é vivida ao acaso. Olhamos à nossa volta e os sinais são mais do que preocupantes desse cancro que se instalou na educação, nos meios de comunicação, na arte, no cinema, mesmo que de uma forma ainda nem sempre totalmente explícita, mas muito implícita. Cada vez mais nos deparamos com posturas, com atitudes e com decisões individuais marcadas por raciocínios determinados pela negação do sentido e de propósito eternos na identidade humana. Cada vez mais nos deparamos com verdadeiros atentados, para não dizer crimes, das pessoas contra si próprias, contra os que lhes são mais próximos na família, entre os amigos e colegas, contra o meio ambiente.

 

            A educação falha redondamente quando não tem nenhuma referência que alimente, suporte e anime a existência do indivíduo. As ideias humanistas da filosofia, da literatura e da arte aprisionam o homem dentro das suas próprias fronteiras e impedem-no de ver mais longe, além do seu umbigo, para lá dos seus limites. A ciência prisioneira do naturalismo e do materialismo impõe às origens do ser humano o nada, o acaso, e as leis da física e da química. O sentido quando é formulado não vai além do pó, do momento presente, dos interesses particulares, tem apenas o tamanho do umbigo do indivíduo.

 

            Lidamos cada vez mais dentro do espaço escolar com uma população vazia, sem projecto de vida, sem objectivos, desmotivados ou com horizontes apenas alimentados pelas vistas curtas do imediato, do efémero, das relações ocasionais, da procura do prazer a qualquer preço e sem qualquer responsabilidade. Há um sabor acre a inutilidade na vida de muita gente. Certamente que existem ainda muitas pessoas que têm sonhos e planos para o seu futuro a curto, médio e longo prazo, mas poucos são os que os formulam em função do que perdura para lá do tempo. O sentido da imortalidade e da eternidade esfumou-se e com ele as fontes primordiais da solidariedade, da abnegação e do espírito de sacrifício.

 

            Acreditar ou não acreditar em Deus faz toda a diferença. Ou se pensa que tudo se resume a nós mesmos ou há uma Pessoa, um Ser, Alguém que se interessa por nós, que nos criou à Sua imagem e semelhança, que nos ama, que vem ao nosso encontro e dá a Sua vida por nós, para que não apenas O conheçamos, mas possamos desfrutar do Seu amor, para o qual fomos criados. É precisamente isto que reivindica, defende e demonstra sobejamente o Evangelho e a História do cristianismo, feita por todos aqueles que em Jesus Cristo encontraram o Criador, Sustentador, Salvador e Restaurador da humanidade. Há uma causa pela qual vale a pena viver e dar a própria vida. É isso que Deus nos demonstrou e ensinou, com o Seu próprio exemplo, na pessoa de Jesus Cristo. O Deus que nos criou, na forma humana evidenciou que a vida vale a pena e recuperou o sentido perdido, mostrando que fomos criados para viver em Deus.

 

Vale a pena viver porque a vida tem um sentido, porque fomos criados para nos relacionarmos com um Deus pessoal e eterno, santo, amoroso, justo e bondoso, humilde e generoso. O cristianismo assenta no facto explicado pela revelação bíblica de que o próprio Deus deu a Sua vida pela humanidade. Mesmo quando se morre numa cruz a vida faz todo o sentido quando é vivida no plano de Deus, tendo em vista a eternidade. O Criador restitui-nos o sentido da vida como nosso Redentor.

 

            De si próprio Jesus apresentou a sua declaração de missão:

O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância. (João 10:10)

 

            Em outra ocasião fez a citação de um texto profético do Antigo Testamento, e afirmou que era d’Ele que a passagem falava e que ela se cumprira, naquele mesmo momento, diante dos seus ouvintes:

 

O Espírito do Senhor tomou posse de mim, por isso me escolheu para levar a boa nova aos pobres. Enviou-me para anunciar a libertação aos prisioneiros, para dar vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e para proclamar o tempo favorável do Senhor. (Lucas 4:18)

 

            Consideramos que temos evidências mais do que suficientes para saber que Deus existe, mas acima de tudo para saber quem Ele é,  conhecendo-O de modo pessoal através de Jesus Cristo, a pessoa central da História. Se por um lado podemos dizer que a convicção da existência de Deus faz toda a diferença, também não é menos certo e a História e o tempo presente provam-no de sobejo, que é preciso saber quem é esse Deus que na realidade existe, quem é o rosto que verdadeiramente nos mostra Deus. Alguns críticos da religião, hoje em dia, acusam-na e acusam a Deus de ser o pior de todos os inimigos do homem e apontam as situações de intolerância e fundamentalismo terrorista, para fundamentar as suas opiniões, bem pouco rigorosas do ponto de vista histórico. O século passado foi pródigo em demonstrar como regimes inspirados e alimentados pelo ateísmo militante, conceberam e realizaram ataques hediondos contra os seus próprios concidadãos e puseram em risco a paz mundial.

 

            O único Deus verdadeiro que se mostrou em carne e osso, para que não tivéssemos dúvida alguma dos Seus atributos, é Aquele que se deu a conhecer em Jesus Cristo – manso e humilde de coração, como Ele mesmo declarou e sobejamente demonstrou através da Sua vida terrena. Não temos apenas um Deus no céu, não temos apenas um Deus que povoa os nossos sonhos, não temos um Deus que apenas visitava o homem no Jardim que preparou para os nossos primeiros pais. Temos um Deus que veio ao encontro da humanidade decaída, andou entre os párias da sociedade, conviveu com os proscritos, contactou com as misérias da humanidade, enfrentou as hipocrisias e as prepotências dos poderes instituídos, lidou com as consequências nefastas do pecado. Temos enfim um Deus que acabou por sofrer nas mãos da Sua própria criatura, mas que rompeu pelo Seu poder as ataduras da morte e triunfou sobre as consequências do pecado, estendendo-nos hoje o Seu perdão e uma nova vida.

 

            O retrato de Deus não está em nenhum catecismo, em nenhum conjunto de regras e princípios morais por mais elevados que sejam. A revelação do Deus criador dos céus e da terra, é pessoal e está de corpo inteiro na pessoa de Jesus Cristo. Esta é a imagem de marca, exclusiva e singular do cristianismo. Em Jesus temos o Deus que reprova e condena o pecado, mas ama e perdoa o pecador. Em Jesus temos o Deus que não encolhe os ombros perante a desgraça do homem. Em Jesus temos o Deus que não fica à distância. Em Jesus temos o Deus que nos aceita incondicionalmente. Em Jesus temos o Deus que denuncia, com todas a letras, as consequências do pecado humano. Em Jesus temos o Deus que desmascara os Seus pretensos representantes, mas que efectivamente não O conhecem e se encontram nas antípodas do Seu coração e da Sua essência. Em Jesus temos o Deus que não maquilha a rebeldia e a desobediência humanas. Em Jesus não temos um Deus politicamente correcto que veio para agradar a todos e dizer aquilo que queremos e gostamos ouvir. Em Jesus temos o Deus que nos chama, que nos convoca ao arrependimento, à mudança de vida. Mudar de vida é possível diante de Jesus Cristo. Ele tem o poder que nós não temos. Ele tem a vontade que nós nem sempre temos. É possível começar a viver uma vida com sentido, é possível inverter o rumo da caminhada.

 

            Começamos por considerar que nós mesmos, a nossa inteligência, consciência, razão e pensamento mostram-nos que somos muito mais do que a matéria e a energia podem explicar.

 

Entendemos que a natureza à nossa volta é suficiente para nos dar o testemunho de que tudo o que existe não pode ter aparecido casualmente, sem qualquer processo inteligente. Só temos duas opções em relação às nossas origens: ou o nada ou Deus, correndo o risco de, recusando um Deus pessoal, transformarmos o nada em divindade. Pessoalmente não consigo aceitar que afinal de contas o nada, o absurdo e o acaso acabaram por produzir a inteligência humana, para chegar à conclusão de que, afinal de contas, a inteligência não existe, não há sentido, não há razão, não há propósito, não há desígnio. Não faz sentido.

 

Acredito que a minha inteligência é uma evidência de que existe uma Inteligência que dá sentido e propósito a tudo o que existe. E essa Inteligência é pessoal, amorosa, benigna, gentil, justa, perfeita, santa. E essa Pessoa não é distante, longínqua, indiferente à nossa história, e à nossa condição; antes pelo contrário entrou na história, assumiu a condição humana e abriu o caminho da nossa salvação, do retorno à sensatez, à inteligência espiritual, ao propósito, ao sentido e ao desígnio da nossa existência.

 

É impossível explicarmos a origem de Deus, porque Deus é eterno e portanto sem origem, ao contrário do homem que tem n’Ele a sua origem. Ele é a origem de tudo o que existe. Ele é o Criador de todas as coisas. Mas não é possível admitir que o nada deu origem a tudo o que somos e vemos à nossa volta, de todo o universo numa vastidão impossível de alcançar pela nossa imaginação e pelos potentes telescópios que os astrónomos conceberam.

 

Tenho que confessar que nas muitas leituras que ao longo da vida fui fazendo acerca do que os cientistas e filósofos escreveram acerca das nossas origens, muitas dessas ideias não as consegui efectivamente entender, estavam muito para lá daquilo que podia perceber. Não é por causa disso que me refugiei em Deus, mas fico muito satisfeito pelo facto de Deus não ter falado de tal forma que só alguns poucos entendidos pudessem entender as Suas explicações. Julgo mesmo que se Deus tivesse traduzido a criação do mundo e da vida em fórmulas matemáticas, físicas e químicas, os cientistas de todos os tempos ainda estariam e continuariam indefinidamente a tentar decifrá-las.

 

Agora a verdade é que a vida, o relacionamento humano e o relacionamento com Deus não pode ser vivido a partir de fórmulas. O mundo não foi criado para ser vivo e desfrutado em função das fórmulas. Não desconsidero com isso a ciência e a tecnologia, a matemática e a filosofia. Há muito mais vida para lá dos livros de ciência, de matemática, de física, de química e de astronomia.

 

Deus deixou-nos a tarefa de procurarmos desvendar o mundo à nossa volta e dentro de nós mesmos, mas deu-nos a Sua Palavra para que nunca nos percamos no desvario de pensarmos que somos fruto do nada.

 

Segundo a Bíblia a natureza é suficiente para nos dar testemunho acerca da existência divina, do Seu poder, da Sua suprema inteligência, da Sua soberania, de um desígnio e propósito, de um sentido para a vida e para tudo o que existe. Mesmo que existíssemos metidos numa redoma ou encerrados numa prisão que nos privasse do contacto com a natureza, ainda assim, nós mesmos – a nossa inteligência, os nossos sentidos, a nossa consciência, seriam por si só suficientes para nos colocarem diante da questão da existência de Deus. A nossa existência pessoal coloca-nos perante o mistério da vida e este só faz sentido no Criador.

 

É nestes termos que o apóstolo Paul o ao escrever a sua carta aos Romanos, traduz esta situação do homem que hoje é bem evidente:

 

Com efeito, Deus manifesta a sua ira divina contra toda a impiedade e injustiça cometida por aqueles que, pela sua injustiça, não deixam que se conheça a verdade. Deus castiga-os porque eles conhecem bem aquilo que se pode conhecer a respeito de Deus. Pois também a eles Deus se deu a conhecer. De facto, desde a criação do mundo, Deus que é invisível mostrou claramente o seu poder eterno e a sua divindade nas suas obras. Por isso não têm desculpa. Eles sabiam que Deus existe mas não o adoraram nem lhe deram graças como é devido. Pelo contrário, os seus raciocínios tornaram-se vazios e os seus corações insensatos, perderam-se na escuridão. Dizem-se sábios mas não têm juízo. Em vez de darem glória ao Deus imortal, adoraram imagens do homem mortal e até adoraram imagens de aves, serpentes e outros animais. (Romanos 1:18-23).

 

            A nossa cultura, a nossa civilização, toda a ciência e tecnologia que nos permitem viver hoje em dia como vivemos, são uma demonstração cabal da necessidade de inteligência, de desígnio, de plano e de propósito.

 

            Mas, para nós, a prova por excelência da existência de Deus e do Seu amor incondicional, é a Sua presença entre nós na pessoa de Jesus Cristo – Deus connosco. Quando ouvimos as palavras que proferiu, quando escutamos as reivindicações que fez acerca de Si mesmo, quando apreciamos os Seus milagres, quando nos deparamos com os Seus valores e princípios espirituais e morais, não temos outra alternativa senão em consciência reconhecermos que Deus veio ao nosso encontro. Os próprios textos históricos relativos à pessoa de Jesus Cristo dão disso um testemunho claro e objectivo.

 

            O apóstolo João, no prólogo do evangelho que traz o seu nome, traduz esta verdade histórica da presença de Deus entre nós, de um modo muito intenso:

 

No princípio era a Palavra.

A Palavra estava com Deus,

e a Palavra era Deus.

Aquele que é a Palavra estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por meio dele,

e sem ele nada foi criado.

Nele estava a vida, vida que era a luz dos homens.

A luz brilha nas trevas,

trevas que a não venceram.

Houve um homem enviado por Deus que se chamava João.

Ele veio para dar testemunho,

para dar testemunho da luz,

para que todos cressem por meio dele.

João não era a luz,

mas foi enviado para dar testemunho da luz.

Aquele que era a Palavra era a luz verdadeira;

Ele ilumina toda a gente ao vir a este mundo.

Ele estava no mundo,

mundo que foi feito por ele.

O mundo não o conheceu.

Ele veio para o seu próprio povo,

e o seu povo não o recebeu.

Mas a todos quantos o receberam,

aos que crêem nele,

deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

Estes não nasceram de laços de sangue,

nem da vontade da carne,

nem da vontade do homem,

mas nasceram de Deus.

A Palavra fez-se homem,

e veio habitar no meio de nós,

e nós contemplámos a sua glória,

como glória do Filho único do Pai,

cheio de graça e de verdade.

João deu testemunho dele ao proclamar: “Era deste que eu dizia: Aquele que vem depois de mim é mais importante do que eu, porque já existia antes de mim.” Todos nós participámos da abundância dos seus bens divinos e recebemos continuamente as suas bênçãos. É que a Lei foi-nos dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Nunca ninguém viu Deus. Só o Deus único, que está no seio do Pai, o deu a conhecer. (João 1:1-18)

 

            No entanto é na nossa própria experiência, quando atendemos ao convite que Jesus Cristo nos estende, que temos a prova definitiva, final e conclusiva acerca de quem Ele é, e do que Deus quer e pretende para a nossa vida.

 

            É assim que Mateus escreveu no evangelho que nos deixou:

 

Venham ter comigo todos os que andam cansados e oprimidos e eu vos darei descanso. Aceitem o meu jugo e aprendam comigo, que sou manso e humilde de coração. Assim o vosso coração encontrará descanso, pois o meu jugo é agradável e os meus fardos são leves.” (Mateus 11:28-30)

 

            Para Deus nenhum de nós nasce por acaso! Podemos ser resultado de um acto físico desprovido de afecto e de carinho, podemos ter vindo à existência sem ter sido queridos pelos nossos progenitores, mas podemos ter a certeza absoluta, pelas palavras de Jesus Cristo, que fomos e somos desejados por Deus. Viemos à existência porque Ele quis. Mas mais do que isso podemos passar a ser, para lá de criaturas, filhos de Deus através do Filho que Ele nos deu – Jesus Cristo! Ele veio para fazer de nós filhos de Deus, sem qualquer acepção!

 

            Paul o traduz isso de uma forma muito enfática, quando escreve a sua segunda carta aos Coríntios:

 

É que quando alguém está unido a Cristo torna-se uma pessoa nova. As coisas antigas passaram. Tudo é novo. Isto é obra de Deus que, em Cristo, nos reconciliou consigo e nos chamou a colaborar nessa missão de reconciliação. Assim, Deus por meio de Cristo, reconciliou consigo a Humanidade, não tendo em conta os seus pecados e encarregando-nos de anunciar a palavra da reconciliação. Portanto, somos embaixadores de Cristo e é Deus que exorta por nosso intermédio. Em nome de Cristo vos pedimos, irmãos, que se reconciliem com Deus. Cristo não tinha cometido pecado, mas Deus, para nosso bem, tratou-o como pecador para que nós, em união com ele, pudéssemos ser considerados justos por Deus. (2 Coríntios 5:17-21)

 

            O apóstolo João é enérgico e taxativo acerca da filiação dos que vivem a partir de Jesus Cristo:

 

Vejam com que amor o Pai nos amou, a ponto de sermos chamados filhos de Deus! E somos seus filhos realmente! É por isso que o mundo não nos conhece, uma vez que não conhece a Deus.

Queridos amigos, agora somos filhos de Deus, mas aquilo que havemos de ser ainda não é totalmente claro. O que sabemos é que, quando Jesus aparecer, havemos de ser iguais a ele, porque havemos de o ver tal como ele é. Todo aquele que tem esta esperança purifica-se para ser puro como ele. (1 João 3:1-3)

 

            Não decidimos existir. Ninguém nos perguntou se queríamos ou não viver. Não escolhemos os nossos pais, a nossa família, a nossa nacionalidade, a nossa raça, a nossa língua. Há tantas circunstâncias que não escolhemos. Mas a questão não se fina por aqui. Através de Jesus Cristo podemos escolher Deus como Pai, podemos escolher ser filhos de Deus, podemos escolher a família que é a Igreja a que pertencer, podemos escolher o nosso futuro eterno, podemos assumir o sentido e propósito para o qual fomos criados. A questão não reside em existir ou não, mas que existência podemos ou não viver. As alternativas estão em aberto e em Jesus Cristo podemos escolher, sabendo que desde a eternidade fomos escolhidos por Deus para sermos d’Ele.

 

            O futuro existe em função das origens. Quando o nada é entendido como a origem de tudo o que existe, o futuro voltará a esse mesmo nada, e podemos concluir com toda a evidência do que esta cultura está a criar, que o presente também tem o sabor desse nada, desse vazio, dessa morte eterna. A Palavra de Deus também denuncia o facto de que o pecado humano gera a morte. Não é novidade para a Bíblia que uma vida sem Deus, uma vida atolada no que é a essência do pecado, é uma vida marcada e destinada à morte.

 

            O apóstolo Paul o escreve-o de uma forma muito objectiva e sintética:

 

Todos pecaram e estão privados da glória de Deus. (Romanos 3:23)

Com efeito, o pecado paga-se com a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em união com Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)

 

            Ao contrário, o futuro do cristão é pleno de esperança. Aguardamos uma eternidade de bem-aventurança em que seremos compensados de todo o sofrimento, toda a dor, todas as lágrimas, toda a desventura que possamos ter vivido aqui e agora. Não vivemos para a morte mas para a vida. A vida que temos em Jesus é eterna, a morte física não tem poder sobre ela. Jesus falou de si mesmo precisamente nestes termos. Ninguém poderia ter dito o que Jesus disse, no seu perfeito estado de saúde mental, sem ser Deus, o que Jesus provou ser de sobejo:

 

Jesus então declarou-lhe: “Eu sou a ressurreição e a vida. O que crê em mim, mesmo que morra viverá. E todo aquele que está vivo e crê em mim, nunca mais há-de morrer. Crês tu nisto?” (João 11:25,26)

 

O último livro da Novo Testamento, chamado de Apocalipse, em consonância com outros textos no Velho Testamento, faz uma bela descrição do futuro eterno que aguarda todos os que têm o sentido da sua vida em Jesus Cristo:

 

Vi então um novo céu e uma nova Terra; de facto o primeiro céu e a primeira Terra desapareceram e o mar já não existe. O primeiro céu e a primeira Terra tinham desaparecido e o mar já não existe.

E vi descer do Céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém. Vinha linda como uma noiva que se prepara para ir ao encontro do noivo. E ouvi uma voz forte que vinha do lado do trono: “Esta é a morada de Deus junto dos homens. Ele habitará com eles e eles serão o seu povo. É este Deus que estará com eles. Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos e já não haverá mais morte nem luto nem pranto nem dor porque as primeiras coisas desapareceram.”

E o que estava sentado no trono disse: “Agora faço tudo novo.” E acrescentou: “Escreve que estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança.” E disse-me ainda: “É um facto. Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim. Ao que tem sede dou-lhe a beber de graça da fonte das águas vivas. Aquele que vencer receberá estas coisas em herança. Eu serei o seu Deus e ele será o meu filho. Mas todos os cobardes, infiéis, depravados, assassinos, desonestos, feiticeiros, idólatras e todos os mentirosos terão o seu lugar no lago de enxofre de fogo, que é a segunda morte.” (Apocalipse 21:1-8)

 

Como cristãos não desvalorizamos o presente. Antes bem pelo contrário. Consideramos que o tempo presente é uma oportunidade extraordinária para provarmos Deus, para experimentarmos o Seu amor em meio às contrariedades que surgem pelo caminho e que fazem parte da condição humana. O amor de Deus também é o estímulo por excelência para valorizarmos o presente, valorizarmos as pessoas, contribuindo para o bem comum, sermos solidários, importarmo-nos uns com os outros, lutarmos contra as injustiças, colaborarmos na construção de um mundo melhor, considerarmos o nosso próximo, afirmarmos a dignidade de toda a pessoa humana independentemente da sua cultura, raça, inteligência, grau académico, percurso de vida e posição social.

 

            Jesus viveu e convocou os Seus seguidores a amarem o seu próximo como a si mesmos, a servirem, a interessarem-se pelos outros, a serem amigos, a amarem os próprios inimigos, a perdoarem, a serem pacificadores. Paremos um pouco para pensar como o mundo seria se todos vivessem em conformidade com estes princípios. Mas Jesus não apenas disse como deveríamos viver, Ele mesmo viveu dessa forma como exemplo e modelo perfeito. Mas Jesus foi ainda mais longe, e proporcionou-nos uma transformação interior e a presença do Seu Espírito para que, dessa maneira, nos seja possível viver à altura do Seu ensino. Mesmo assim não somos aceites pela nossa competência e desempenho, mas com base no Seu amor incondicional.

 

Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Mateus 20:28)

 

            Quem não conhece a parábola, a ilustração que Jesus contou, chamada do bom samaritano?

 

Um certo doutor da lei, que queria experimentar Jesus, levantou-se e fez-lhe esta pergunta. “Mestre, que devo fazer para ter direito à vida eterna?” “Que diz a Escritura acerca disso?”, respondeu-lhe. “Como é que entendes?” E ele disse: “Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a alma, com todas as forças e com todo o entendimento. E ama o teu próximo como a ti mesmo.” Jesus comentou: “Respondeste bem. Faz isso e alcançarás a vida.” Mas o doutor da lei, querendo justificar-se, tornou a perguntar: “E quem é o meu próximo?” Então Jesus contou o seguinte: “Ia um homem a descer de Jerusalém para Jericó. Caíram sobre ele uns ladrões que lhe roubaram roupa e tudo, espancaram-no e foram-se embora deixando-o quase morto. Por casualidade, descia um sacerdote por aquele caminho. Quando viu o homem passou pelo outro lado. Também por lá passou igualmente um levita que, ao vê-lo, se desviou. Entretanto, um samaritano que ia de viagem passou junto dele e, ao vê-lo, sentiu compaixão. Aproximou-se, tratou-lhe os ferimentos com azeite e vinho e pôs-lhe ligaduras. Depois colocou-o em cima do seu jumento, levou-o para uma pensão e tratou dele. No outro dia, deu duas moedas de prata ao dono da pensão e mandou-lhe: “Cuida deste homem, e quando eu voltar pago-te tudo o que gastares a mais com ele.” Jesus perguntou então ao doutor da lei: “Qual dos três te parece que foi o próximo do homem assaltado pelos ladrões?” E ele respondeu: “O que teve compaixão dele.” Jesus concluiu: “Então vai e faz o mesmo.” (Lucas 10:25-36)

 

            Se por um lado o sofrimento e a dor, as catástrofes naturais e as epidemias, são um argumento muitas vezes brandido contra a existência de um Deus pessoal todo-poderoso e todo amor, por outro lado, só a existência desse mesmo Deus pessoal, todo-poderoso e amor, dá-nos a convicção de que o presente estado de coisas será superado e virá uma nova era em que todas essas consequências do conflito com Deus serão banidas, para todos os que aceitaram em Jesus Cristo a reconciliação com Deus e com o Seu eterno propósito – vivermos n’Ele, com Ele e para Ele.

 

No cristianismo, diante da cruz de Jesus Cristo, contemplamos um Deus pessoal que sabe o que é o sofrimento, porque o assumiu sobre Si mesmo de livre e espontânea vontade, para nos devolver à Sua companhia por toda a eternidade. Temos um Deus que na forma humana experimentou a morte. Por estranho que possa parecer o Deus revelado em Jesus Cristo dá ao próprio sofrimento e dor um sentido e uma razão, bem como a esperança de restauração para todo o sempre. Como seguidores de Jesus Cristo somos impulsionados por Ele a não sermos indiferentes para com os que sofrem, porque também Ele não foi nem é indiferente. Diante do sofrimento e da dor, enquanto os discípulos especulavam segundo os parâmetros da cultura religiosa de então, Jesus via a intervenção de Deus que mostraria a Sua glória:

 

Um dia Jesus encontrou no seu caminho um homem cego de nascença. Os discípulos perguntaram-lhe: “Mestre, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego? Ele ou os pais?” Jesus explicou: “Nem pecou ele nem os pais, mas é para que o poder de Deus se possa manifestar através dele. Precisamos de fazer, enquanto é dia, as obras daquele que me enviou. Vem a noite e já ninguém pode trabalhar. Enquanto estiver neste mundo, sou a luz do mundo.” (João 9:1-5)

 

O nada, a morte, a ausência de sentido e propósito produzirão em última instância mais indiferença, apatia, egoísmo em relação à miséria e ao sofrimento dos homens. Um mundo governado pelo naturalismo, pela indiferença para com Deus, tornar-se-á cada vez mais parecido com o inferno. É a Igreja e os seguidores efectivos de Jesus Cristo que fazem (devem fazer) a diferença.

 

            É isto mesmo que Paul o ensina aos seguidores de Jesus, em conformidade com o que o próprio Jesus viveu e ensinou:

 

Que o vosso amor seja sincero. Detestem o mal e pratiquem o bem. Amem-se como irmãos e ponham os outros sempre em primeiro lugar. Trabalhem e não sejam preguiçosos. Sirvam o Senhor com dedicação e fervor. Sejam alegres na esperança que têm. Tenham coragem nos sofrimentos e nunca deixem a oração. Repartam com os crentes necessitados e recebam bem os que procuram hospitalidade. Peçam a Deus que abençoe aqueles que vos tratam mal. Peçam para eles bênçãos e não maldições. Alegrem-se com os que estão alegres e chorem com os que choram. Vivam em harmonia de sentimentos. Não procurem honrarias, mas aceitem as ocupações mais humildes. Não se envaideçam com aquilo que sabem. Não paguem o mal com o mal. Procurem antes fazer o bem diante de todos. Façam tudo o que for possível da vossa parte para viverem em paz com toda a gente. Meus caros irmãos, não façam justiça por vossas mãos. Deixem que seja Deus a castigar, pois diz o Senhor na Sagrada Escritura: A mim é que pertence castigar; eu é que darei a recompensa. E diz também: Se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer e se tem sede dá-lhe de beber. Ao fazeres isso, farás com que a cara lhe arda de vergonha. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem. (Romanos 12:9-21)

 

            As crianças, os adolescentes, os jovens, os adultos e os idosos desta Nação precisam escutar a mensagem positiva do Evangelho, que nos apresenta como criação de um Deus pessoal que nos ama e nos criou por amor e para o Seu amor. Um Deus pessoal que é santo, perfeito, no qual não existe nenhuma sombra de maldade ou de egoísmo. Um Deus que é justo e que é o garante dessa justiça no mundo, mas que sabendo que todos nós não temos justiça própria, nos dá a possibilidade de recebermos d’Ele a declaração de justos, de modo a que não vivamos acorrentados e dominados pela nossa injustiça, pelo nosso pecado, pelo nosso egoísmo, pela nossa maldade, pelos nossos fracassos.

 

            Paul o dá um grande destaque, em todos os seus escritos, à justificação operada por Cristo a nosso favor:

 

Mas agora não há condenação para os que estão unidos a Jesus Cristo. (Romanos 8:1)

 

            O apóstolo Pedro dá disto também testemunho, acrescentando ainda as consequências que daí advêm:

 

Se invocam como Pai aquele que julga cada um conforme as suas obras sem fazer distinção de pessoas, então tenham-lhe respeito enquanto vivem neste mundo. Saibam que foram resgatados daquela vida inútil que tinham herdado dos antepassados. E não foi pelo preço de coisas que desaparecem, como a prata e o ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo, como o de um cordeiro sem mancha nem defeito. Ele tinha sido destinado para isso, ainda antes da criação do mundo, e manifestou-se nestes últimos tempos para vosso bem. Por meio dele crêem em Deus, que o ressuscitou dos mortos, e o glorificou. E assim a vossa fé e esperança estão postas em Deus.

Aceitando a verdade, ficaram purificados, para amarem sinceramente os irmãos na fé. Tenham pois amor uns aos outros de todo o coração, uma vez que nasceram de novo, não de semente corruptível, mas incorruptível, por meio da palavra de Deus, que vive para sempre. É assim que diz a Escritura:

Todo o homem é como a erva

e toda a sua glória como a flor da erva.

A erva seca e a flor cai,

mas a palavra do Senhor

permanece para sempre.

É esta a mensagem da boa nova que vos foi anunciada. (1 Pedro 1:17-25)

 

            Há sentido porque Deus é um ser pessoal, e à Sua imagem e semelhança somos pessoas. Recusamo-nos, nessa base, a ser encarados e tratados como se fôssemos máquinas, robôs, objectos descartáveis, números indiferenciados, um a mais na multidão. Deus nos conhece pessoal e individualmente. Conhece-nos desde o ventre. Sabe tudo a nosso respeito. Tudo está nu e patente diante dos Seus olhos. Perante Ele de nada vale fingir. O fingimento só nos engana e prejudica. O conhecimento que Deus tem a nosso respeito não nos deve intimidar, mas deve-nos provocar segurança e deve-nos atrair a Ele, porque, sabendo tudo a nosso respeito, a Sua atitude para connosco é de aceitação, perdão e reconciliação, desde que nós aceitemos a Sua acção redentora a nosso favor, estejamos dispostos a abandonar o nosso pecado, o nosso egoísmo, a nossa auto-suficiência ilusória, a nossa presunção e arrogância de que nos bastamos a nós mesmos. De uma forma muito clara Jesus Cristo declarou que não veio para condenar, mas para salvar. Somos nós que nos condenamos a nós mesmos quando rejeitamos a graça de Deus para connosco, ou seja, quando desprezamos o Seu perdão e a reabilitação que através de Jesus Cristo Ele quer e pode realizar em nós.

 

            João di-lo, de uma forma muito clara, no seu evangelho:

 

Deus amou de tal modo o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crer não se perca, mas tenha a vida eterna. Não foi para condenar o mundo que Deus lhe enviou o seu Filho, mas sim para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus.

O motivo da condenação é este: a luz veio ao mundo, mas o mundo preferiu as trevas porque as suas obras eram más. De facto, quem faz o mal detesta a luz e foge dela, para que as suas más obras não sejam descobertas; mas o que pratica a verdade, aproxima-se da luz e assim mostra publicamente que as suas obras foram feitas segundo a vontade de Deus.” (João 3:16-21)

 

Há sentido porque Deus é santo. Não podemos brincar de deus de nós mesmos. Não somos deus. Não somos nós que estabelecemos as regras. Não somos nós o padrão. É a natureza santa de Deus que é a referência. Aos nossos próprios olhos e aos olhos da sociedade e da cultura prevalecente poderemos parecer muito boas pessoas, mas diante de Deus ser bom não basta, no sentido de fazer coisas que a nós nos parecem boas. Jesus veio para que fôssemos bons por dentro, para depois podermos viver uma vida boa segundo o critério e a avaliação de Deus. Se nos compararmos com Deus, com a pessoa de Jesus Cristo – Deus feito Homem, temos que confessar quão longe nos encontramos da Sua perfeição moral. Mas a santidade não nos fala apenas de perfeição no sentido ético e moral, fala-nos também de relacionamento, de intimidade, de sermos próximos de Deus, de vivermos na Sua dependência, de andarmos na Sua presença, de Lhe pertencermos, de vivermos sob o Seu domínio, de Lhe obedecermos. O pecado não compensa. A desobediência só leva à morte. O sentido de independência é loucura. Não nos criámos a nós mesmos. A nossa vida depende de Deus. É nas Suas mãos que encontramos o nosso abrigo, o nosso habitat (sobre)natural. É lá que é o nosso ninho. Para retornarmos a Deus precisamos seguir o caminho que é Ele mesmo encarnado, como não podia deixar de ser.

 

João faz eco das palavras de Jesus no evangelho que escreveu:

 

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, respondeu Jesus. “Ninguém pode chegar ao Pai sem ser por mim.” (João 14:6)

 

            Há sentido porque Deus é amor, porque somos amados, porque Deus nos ama, porque para Ele somos especiais. O amor de Deus nos constrange. Quando conhecemos o dom de Deus e o próprio Deus na pessoa de Jesus Cristo, não temos relutância em pedir-Lhe que nos sacie a sede de sentido e propósito existencial, e Ele nos concede prontamente o que Lhe pedimos.

 

Uma das coisas que mais custa ao homem no seu pecado é reconhecer e estar disposto a pedir a Deus o que apenas Ele lhe pode conceder. Jesus não agiu assim entre nós. Ele não teve nenhum acanhamento em pedir a uma mulher samaritana e cuja vida não era muito recomendável, que Lhe desse água para beber. O Criador de todas as coisas, o Soberano Senhor de todo o Universo, o Autor da Vida, o Santo, o Omnipotente, o Omnisciente, o Omnipresente que não se apegou aos Seus direitos e encarnou, natural e espontaneamente pediu um copo de água para matar a Sua sede. Porque teimamos nós em querer conquistar o que Deus está disposto a dar-nos graciosamente.

 

            É assim que João descreve este encontro singular de Jesus com esta mulher:

 

Nisto, chegou uma mulher samaritana que ia tirar água ao poço e Jesus pediu-lhe de beber. Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida. A mulher disse-lhe: “Mas como é que tu, um judeu, te atreves a pedir-me água a mim que sou samaritana?” De facto, os judeus não se davam bem com os samaritanos. “Se tu conhecesses o que Deus tem para dar”, respondeu-lhe Jesus, “e quem é aquele que te está a pedir água, tu é que lhe pedirias e ele dava-te água viva.” (João 4:7-10)

 

            Há sentido porque Deus é justo. O bem e o mal não são uma questão de escolha ou de opinião humana. O bem está vertido na natureza divina. Quando o sentido da existência humana em Deus é abolido, esquecido, negligenciado, pervertido, o homem pensa que pode fazer o que quer e que não terá de prestar contas diante de um Juiz isento e absolutamente justo. De modo algum. O juízo final terá lugar! É impossível que os crimes cometidos contra a humanidade não sejam um dia julgados. A prepotência, a malignidade, o demoníaco, toda a injustiça terá de confrontar-se com a justiça divina. Mas diante da justiça de Deus todos nós nos encontramos em maus lençóis. Não há um justo nem um sequer. Apesar de os vários graus de maldade poderem ter um grau diferente de castigo, a separação eterna de Deus será sempre algo de terrível. No entanto ninguém será condenado por causa dos pecados que cometeu ou por causa da sua natureza pecaminosa, mas pela rejeição do perdão que a morte de Jesus nos proporcionou e proporciona. Essa ingratidão e impenitência do homem é que o manterão na situação de condenado.

 

            Há sentido porque Deus fala, comunica-se connosco, diz-nos o que por nós mesmos nunca alcançaríamos. Toda a tentativa do homem de construir Deus está condenada ao fracasso, à ilusão. Ou Deus se revelava a Si mesmo ou permaneceríamos na ignorância e no engano. Mas Deus revelou-se na natureza, na revelação escrita que está ao alcance da nossa mão e da nossa mente e coração, na Bíblia. Ouça Deus. Reflicta no que Deus diz. Leia a Bíblia. E o personagem principal de toda a Bíblia é Jesus Cristo. Se tirarmos Jesus à Bíblia deixamos de ter Bíblia. É para Ele que toda a revelação escrita converge, porque Ele é o “Logos”, o “Verbo” divino, Aquele que comunica e expressa Deus para nós, à nossa dimensão, embora incomparavelmente maior do que nós.

 

            O escritor da carta aos Hebreus, logo na introdução das suas palavras, declara abertamente:

 

Nos tempos antigos, Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras aos nossos antepassados pelos profetas. Mas agora, que o fim está perto, falou-nos por meio do Seu Filho. Foi por meio dele que Deus criou o Universo e a ele destinou como herança todas as coisas. Ele é o reflexo da glória de Deus e a imagem perfeita da sua pessoa. É ele que sustenta o Universo pela sua palavra poderosa. Depois de ter purificado os homens dos seus pecados, ele tomou o seu lugar no trono celeste à direita da majestade divina. (Hebreus 1:1-3)

 

            Há sentido porque Deus se fez à nossa imagem e semelhança. Não somos uma criação de segunda. O nosso problema não é de fabrico. Perdemo-nos e continuamos a perdermo-nos quando queremos viver à nossa maneira, quando fazemos do bem e do mal uma questão de opinião e preferência pessoal, quando não percebemos que fomos criados para vivermos na intimidade do relacionamento com Deus e uns com os outros.

 

            Há sentido porque Deus viveu entre nós esse mesmo sentido. A vida de Jesus está carregada de sentido, de propósito, de desígnio até às últimas instâncias. Ao lermos os registos da vida de Jesus entre nós, imediatamente compreendemos que a Sua vida foi vivida na plenitude. Cada momento, cada segundo, cada relacionamento estava carregado de sentido. Ele viveu para os outros, para os Seus apóstolos e discípulos, para as multidões, para os necessitados, para os marginalizados e abandonados, para os pecadores. Acima de tudo Ele viveu em permanente e absoluta intimidade com o Seu Pai e na unção contínua do Espírito Santo. A vida de Jesus entre nós é o modelo do plano de Deus para toda a humanidade. A vida é para ser vivida em sintonia com Deus. A encarnação de Jesus não interrompeu o relacionamento pleno da Trindade desde a eternidade.

 

            Há sentido porque Ele morreu na cruz. A cruz reúne a justiça e o amor de Deus. Deus nos reconcilia com Ele por causa do Seu amor sem pôr em causa a Sua justiça. O problema do homem é que não reconhece nem aceita a gravidade do seu problema com Deus. O pecado do homem é de uma gravidade tal que só Deus o pode sanar. O pecado não pode ser confundido com os pecados que dele resultam. O pecado prende-se com a natureza do homem que em termos espirituais ficou totalmente danificada. Os pecados são os resultados visíveis, no comportamento humano, dessa corrupção geral da sua natureza. O Evangelho visa a nossa essência. É aí que Deus realiza a transformação de que precisamos. Mediante Jesus Cristo somos feitos uma nova criação, nascemos de Deus e tornamo-nos Seus filhos. Algumas pessoas raciocinam mais ou menos nesta base: se os meus pecados não são suficientes para me condenar à cadeia, como podem condenar-me ao inferno? Só que se esquecem que o inferno é a condição eterna do homem separado de Deus, e o resultado da separação de Deus é o pecado e os pecados. Essa separação só é resolvida e alterada para comunhão e intimidade, amizade e filiação, através de Jesus Cristo. O inferno é a condição final do homem sem Deus.

 

            Há sentido porque Jesus ressuscitou e está vivo. A cruz está vazia. O sepulcro está vazio. Jesus venceu a morte. Jesus venceu a inimizade. Jesus rompeu com a penalidade do pecado. Jesus triunfou sobre o inferno. Deus determinou as consequências do pecado, aplicou essas consequências ao longo da História e por causa da Sua graça e misericórdia nunca permitiu que elas extravasassem certos limites que comprometeriam a sobrevivência da humanidade, e quando chegou o momento por Ele determinado desde a eternidade, assumiu sobre Si mesmo essas consequências. A Sua justiça não foi comprometida e foi satisfeita. O Seu amor prevaleceu, a graça tornou-se manifesta e a misericórdia triunfou do juízo. Hoje só não é salvo quem não quer. Hoje só não vive com Deus quem se recusa a tal. Na eternidade só não estará com Deus quem se manteve renitente em relação ao Seu amor e justiça. Deus sabe como irá tratar com todos os que não ouviram a mensagem da Páscoa. A questão não está em relação aos que não escutaram, mas àqueles que escutando-a não lhe prestaram atenção, a ignoraram, a calcaram aos pés, desdenharam dela, ridicularizaram a sabedoria divina e a Sua graça para connosco. Essa é a desgraça de quem recusa a graça.

 

            Paul o apresenta-nos de forma muito clara estas verdades decorrentes da morte e ressurreição de Jesus, em conformidade com a revelação e com os factos históricos:

 

Quero recordar-vos, irmãos, a boa nova que vos anunciei, a qual também acolheram e na qual se têm mantido firmes. É ela que vos há-de salvar, se lhe forem fiéis, tal como eu vo-la comuniquei. A não ser que a vossa fé tenha sido em vão!

Em primeiro lugar, transmiti-vos aquilo que eu próprio tinha recebido: Cristo morreu pelos nossos pecados, conforme o que está na Sagrada Escritura. Foi sepultado e, no terceiro dia, ressuscitou, como também está na Sagrada Escritura. Apareceu a Pedro e, a seguir, ao grupo dos doze. Apareceu depois a mais de quinhentos irmãos de uma só vez. A maior parte deles ainda vive, mas alguns já morreram. Apareceu depois a Tiago e, em seguida, a todos os apóstolos. Em último lugar, apareceu-me também a mim, que sou quase como um aborto. (1 Coríntios 15:1-8)

 

            Há sentido porque Jesus prometeu estar connosco todos os dias até à consumação dos séculos. Enquanto aqui vivemos, como filhos de Deus, temos problemas, aflições, lutas, dificuldades, dores e sofrimento, algumas vezes doença e enfrentamos a morte. Mas Jesus deixou-nos a promessa de que nunca nos deixaria. Aqui e agora vivemos em fé. Confiamos e crescemos a cada dia na confiança em Deus. Fé é isto mesmo: uma confiança inabalável e incondicional em Deus. Jesus merece-nos toda a confiança. Ele nos amou até às últimas instâncias.

 

            Mateus registou as palavras desta promessa de Jesus antes de partir físicamente:

 

Então Jesus aproximou-se deles e declarou: “Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos. Baptizem-nos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo quanto eu tenho mandado. E saibam que estarei convosco até ao fim dos tempos.” (Mateus 28:18-20)

 

            Há sentido porque nos prometeu que nos ia preparar um lugar para estarmos com Ele por toda a eternidade. Olhamos o futuro com esperança. Sabemos que a morte não terá a última palavra. Não é a selecção natural que dita as regras, não são os bancos mundiais nem as multinacionais, não é a bomba atómica ou as armas químicas e biológicas. A palavra final, como a primeira palavra, é de Deus. A Sua palavra rege o Universo e a História.

 

            O Evangelho escrito por João dá disso registo, entre muitos outros relatos que temos ao longo de todo o Novo Testamento:

 

Jesus disse depois aos seus discípulos: “Uma vez que têm fé em Deus, tenham também fé em mim! Na casa de meu Pai há muitos lugares; se assim não fosse, ter-vos-ia dito que vou preparar-vos um lugar? Eu vou à vossa frente para vos preparar lugar. E depois de vos ir preparar um lugar, hei-de voltar para vos levar para junto de mim, de modo que estejam onde eu estiver. (João 14:1-3)

 

            Há sentido porque Jesus nos garantiu que um dia destes vai voltar para nos levar para Ele. Aguardamos com expectativa a iminente segunda vinda de Jesus. Ele voltará em glória para os Seus.

 

            Há sentido porque enviou para nós o Consolador, o Seu Espírito. Deus aprecia de tal forma a companhia e o relacionamento com o Homem que faz dele a morada do Seu Espírito. Nós somos o templo em que Ele quer habitar. Quando aceitamos a Jesus Ele passa a morar connosco e em nós pelo Seu Santo Espírito.

 

            Esta é a declaração de Paul o:

 

Não sabem que não pertencem cada um a si mesmo, mas que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que receberam de Deus e que habita no vosso interior? (1 Coríntios 7:19)

 

            Não há nada que nos possa impedir de viver segundo o plano e o propósito que Deus tem para nós. Podemos ser reconciliados com esse desígnio. Podemos recuperar a nossa identidade e o nosso valor. Podemos ser reabilitados. Podemos ser consertados.

 

            Nem os genes, nem os astros, nem os fados, nem o destino cego, nem a educação, nem a família, nem as nossas deficiências físicas, emocionais, afectivas ou outras quaisquer nos podem separar do que Deus tem determinado a nosso respeito. Apenas a nossa própria vontade nos pode manter separados de Deus. Nem o próprio pecado nos pode manter longe de Deus, porque em Jesus temos perdão e reconciliação. Quando reconhecemos a nossa falência e incapacidade de vivermos por nós próprios e nos voltamos para Deus em Jesus Cristo, recebemos perdão e restauração. Nascemos de novo. Somos feitos uma criação nova. Passamos a ter uma nova identidade. Recebemos de Deus uma nova natureza.

 

O facto é que todos queremos ser felizes e isto porque na verdade fomos criados para ser felizes.

 

            No entanto a felicidade não é o ponto de partida, mas o ponto de chegada de uma vida vivida a partir de motivações e prioridades bem escolhidas e definidas.

 

            A felicidade não se alimenta de egoísmo, mas precisamente do contrário, do altruísmo, da bondade, da generosidade, do serviço aos outros, do amor.

 

            A felicidade brota do perdão e não da amargura e da sede de vingança.

 

            A felicidade existe em função e como fruto do amor. Quando somos amados somos felizes, mesmo quando as lágrimas correm pelas nossas faces.

 

            É por isso que a nossa felicidade profunda e duradoura depende do nosso relacionamento com Deus.

 

            Em primeiro lugar Deus é o único ser que nos ama verdadeiramente. Deus é amor e Deus amou de tal forma a humanidade, ou seja, a mim e a si, que se deu a Si mesmo na pessoa do Filho – Jesus Cristo, para que todos os que confiam n’Ele, dependem d’Ele, obedecem a Ele e andam com Ele, têm intimidade com Ele, não vivam angustiados, desesperados, infelizes e nesse labirinto se percam, mas possam usufruir de vida eterna, vida abundante e que permanece.

 

            Em segundo lugar, no Seu amor e pelo Seu amor Deus nos traz perdão e nos concede perdão, qualquer que seja o nosso erro, a nossa falha, o nosso pecado. Deus é um Deus que perdoa e perdoando-nos nos convoca a que sejamos também perdoadores. A culpa destrói todo o sentido de felicidade. Não é possível ser feliz onde a culpa reina. A culpa produz tormento. O perdão, pelo contrário traz alívio, descanso, bem-estar, conforto e realização. Sentimo-nos bem connosco e com Deus quando somos agentes de perdão.

 

            Em terceiro lugar Jesus Cristo, como Deus entre nós, não veio para ser servido mas para servir. Esta é uma das qualidades distintas do Deus que a Bíblia nos apresenta e Jesus Cristo manifestou pessoalmente entre nós. Para nós a imagem de Deus é capaz de ser a de um déspota com uma multidão de escravos, de servos à sua disposição. Alguns poderão pensar que Deus existe para ser servido e criou-nos para que o sirvamos. Mas não é bem assim. Antes de tudo o mais Deus criou-nos para nos servir com toda a criação que colocou à nossa disposição. O apóstolo Paul o chega a declarar que Deus não é servido pelas mãos humanas. Deus não precisa do nosso serviço para nada. Deus é suficiente em si mesmo. É assim que Jesus Cristo veio para servir e esse serviço chegou ao ponto da dádiva da Sua própria vida. Assim Deus nos ensinou e ensina, pelo Seu próprio exemplo, para que nós procedamos da mesma forma. Quando Jesus lavou os pés dos discípulos concluiu dizendo que sendo Ele o Mestre e o Senhor, então também nós deveríamos fazer como Ele fez. Deus não se inibiu de se cingir com uma toalha e uma bacia e lavar os pés dos Seus amigos e, inclusivamente, de quem o haveria de trair, o que era trabalho de um escravo naqueles dias. Deus assumiu o papel de um escravo para nos ensinar a sermos úteis, disponíveis, solícitos a ajudar as pessoas à nossa volta.

 

            Muitos outros aspectos nós poderíamos considerar à luz da vida de Jesus como determinantes e essenciais da nossa felicidade, mas estes são suficientes. Somos felizes quando tomamos consciência de que somos amados, perdoados e servidos por Deus. Somos felizes quando com base nessa consciência e transformados por ela, passamos a amar, a perdoar e a servir. Então, não apenas nós mudamos, mas também as pessoas e as circunstâncias à nossa volta sofrem uma mudança radical.

 

            É preciso que crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos ouçam que nada, absolutamente nada, nos pode manter separados de Deus. Os vícios podem ser vencidos, os fracassos podem ser ultrapassados, os medos podem ser banidos, as potestades do mal já foram derrotadas. Por Jesus somos feitos mais do que vencedores!

 

            Uma geração prisioneira do prazer a qualquer preço, dependente das drogas, do álcool, do sexo, da indiferença e do vazio, precisa descobrir em Jesus uma vida que vale a pena ser vivida não apenas no tempo, mas por toda a eternidade.

 

            Celebrar a vida em Jesus Cristo, vida com abundância, vida eterna – a vida de Deus!

 

Não somos filhos do acaso!

 

Somos criação de Deus e em Jesus Cristo podemos ser filhos de Deus!

 

            Seja e viva como um filho de Deus!

 

 

 

Sam uel R. Pinheiro

www.samuelpinheiro.com

www.portalevangelico.pt

 

 


Senhor, tu examinaste-me e conheces-me.

Conheces todos os meus movimentos;

à distância, sabes os meus pensamentos.

Vês-me quando trabalho e quando descanso;

conheces todas as minhas acções.

Mesmo antes de eu falar,

já tu sabes o que vou dizer.

Tu estás à minha volta por todo o lado;

proteges-me com o teu poder.

O teu conhecimento a meu respeito é muito profundo;

está para além da minha compreensão.

 

Onde poderia eu ir, para escapar a ti?

Para onde poderia fugir da tua presença?

Se subisse ao céu, lá estarias;

se descesse ao mundo dos mortos, lá estarias também.

Se eu voasse para além do oriente

ou fosse habitar nos lugares mais distantes do ocidente,

também lá a tua mão desceria sobre mim,

lá estarias para me segurar!

Se eu pedisse à escuridão para me esconder

ou à luz para se transformar em noite à minha volta,

a escuridão não me ocultaria de ti

e a noite seria para ti tão brilhante como o dia.

Para ti a escuridão e a luz são a mesma coisa.

 

Foste tu que formaste todo o meu ser;

formaste-me no ventre de minha mãe.

Louvo-te, ó Altíssimo, porque és terrível,

fico maravilhado com os teus prodígios.

Conheces intimamente o meu ser.

Quando os meus ossos estavam a ser formados,

sem que ninguém o pudesse ver;

quando eu me desenvolvia em segredo,

nada disso te escapava.

Tu viste-me antes de eu estar formado.

Tudo isso estava escrito no teu livro;

tinhas assinalado todos os dias da minha vida,

antes de qualquer deles existir.

Mas para mim, que profundos são os teus pensamentos, ó Deus!

Que misterioso é o seu conteúdo.

Se eu quisesse contar, seriam mais do que a areia;

e se pudesse chegar ao fim, ainda estaria contigo.

 

Ó Deus, tira a vida aos que fazem o mal,

afasta de mim os assassinos.

Eles falam maldosamente contra ti;

os teus inimigos dizem mal de ti.

Ó Senhor, como eu odeio aqueles que te odeiam!

Como eu desprezo os que se voltam contra ti!

Odeio-os com toda a minha alma!

Considero-os meus inimigos!

 

Examina-me, ó Deus, e conhece o meu coração;

põe-me à prova e conhece os meus pensamentos.

Vê se eu sigo pelo caminho do mal

e guia-me pelo teu caminho, ó Deus eterno.

 

Salmo 139


Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus, que nos encheu de bênçãos espirituais em Cristo, nos céus.

Pois, antes de o mundo existir, ele escolheu-nos para juntamente com Cristo sermos santos e irrepreensíveis e vivermos diante dele em amor. Ele destinou-nos para sermos seus filhos por meio de Cristo, conforme era seu desejo e vontade, para louvor da sua graça gloriosa que ele gratuitamente nos concedeu no seu amado Filho. Pelo sacrifício da sua morte fomos libertados e recebemos o perdão dos pecados, em virtude das riquezas da sua graça, que ele derramou abundantemente sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. Deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade e o plano generoso que tinha determinado realizar por meio de Cristo. Esse plano consiste em levar o Universo à sua realização total, reunindo todas as coisas em submissão a Cristo, tanto nos Céus como na Terra. Foi também em Cristo que fomos escolhidos para sermos herdeiros do seu reino, destinados de acordo com o plano daquele que tudo opera conforme o propósito da sua vontade. Louvemos, portanto, a glória de Deus, nós que previamente já pusemos a nossa esperança em Cristo.

 

Efésios 1:1-12