Declaração sobre a política partidária, a Bíblia, as igrejas locais e o cristão

                Este texto não é um trabalho definitivo. Apenas uma primeira abordagem de um tema difícil que pretendo desenvolver. Mas dado o momento sensível que estamos a viver considero que devo colocá-lo à disposição de modo a suscitar algumas reflexões que me ajudem a desenvolvê-lo. Por outro lado face ao momento que vivemos como cidadão considero que devo expressar a minha opinião e colocar à consideração alguns trechos bíblicos que considero podem ser determinantes na forma como devemos olhar para o que está a acontecer e qual deve ser a nossa contribuição. Não pretende ofender ninguém, embora saiba que neste domínio as sensibilidades agudizam-se. Trata-se de igual maneira de uma análise pessoal que só me vincula ao nível estritamente pessoal.

                

                Como cristão que conhece a Bíblia não posso dizer que estou dececionado, desiludido, frustrado, revoltado, indignado com a política e os políticos alinhados nos seus diversos partidos. Mas de facto estou. Não deveria estar porque biblicamente não podemos esperar o que não é possível esperar de uma sociedade e de um homem que está corrompido pela egolatria, pelo dinheiro, pelo lucro, pela ganância, pela mentira, pela manipulação. No dizer do texto bíblico o mundo jaz no maligno e isso é mais do que evidente para mim. Mesmo assim estou profundamente chocado.

                A forma como se está a espoliar os mais débeis, como se lançam para o desemprego milhares de pessoas e como se consegue falar disso como uma fatalidade sem alternativa e com uma frieza estatística como se não se estivesse a falar de pessoas de carne e osso com filhos para criar e alimentar, dá-me vómitos – sinto uma náusea tremenda. Tenho a impressão de que estamos diante de um novo holocausto a céu aberto, sem distinguir raças ou faixas etárias, confissões religiosas ou culturas. Tudo é arrastado na enxurrada – idosos, crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homens. A partir dos 35 anos já se é velho demais para trabalhar e muito novo para a reforma. É um verdadeiro atentado. Existem economistas da esquerda à direita do espetro partidário que usam terminologias chocantes – bomba napalm, terramoto fiscal, roubo, saque, … Tem de haver e há alternativas. São vários os economistas de renome que referem que trata-se apenas de razoabilidade, de boa vontade, de alguns de que não conhecemos o rosto estarem dispostos a deixar de ganhar rios de dinheiro com os juros que alguns Estados estão a ser obrigados a pagar, e por arrasto as pessoas e as famílias.

                Os políticos tratam-nos como se fôssemos burros que me perdoem os nobres animais que têm esse nome. Há que agir mas com inteligência, com pudor, com integridade, com verdade e justiça, com ponderação, com sabedoria. É preciso procurar os consensos antes de assumir decisões que acabam por não agradar a ninguém e, ao que parece, não viabilizariam nenhuma melhoria efetiva.

                O país está a ser vendido a preço de saldos. Começou-se por receber subsídios para acabar com a agricultura, com as pescas e com a indústria. Depois acenou-se com crédito fácil e endividaram-se as pessoas, as famílias e a nação. A seguir como num golpe de mágica exorbitaram-se os juros e os agiotas e usurários caíram que nem abutres com a ajuda das empresas de rating que eles mesmo sustentam. Finalmente vieram empréstimos com juros astronómicos que são escondidos das pessoas. Finalmente vende-se o resto que sobra. No fim fica um bando de escravos e de mendigos.

                Demonizou-se o público e endeusou-se o privado. Afinal de contas as “gorduras”, os esbanjamentos, a assimetrias que existem de um lado verificam-se ainda mais do outro lado. Aceita-se com naturalidade no privado aquilo que se condena no público. A dívida que existe do lado do Estado parece que não é maior do que a que existe do lado privado. As empresas privadas perderam o seu sentido social. O que se procura obsessivamente, custe o que custar, é o lucro, cada vez mais lucro, numa ganância sem fim, que não pode ser saciada. Cada vez menos a trabalhar até à exaustão para que os lucros sejam multiplicados. O fim desta lógica é o desastre, o abismo.

                Os políticos impõem aos outros o que não tomam para si próprios. Decidem sobre as suas mordomias e acautelam o seu futuro. Fico com a ideia de que não lhes interessa já muito se ganharão ou não as próximas eleições, o que importa é que tenham satisfeito as exigências dos grupos corporativos a que estão veiculados e alcancem os objetivos que lhes foram propostos. Acabadas as comissões de serviço não faltarão propostas de trabalho no país ou fora dele, já que o dinheiro não tem pátria. Interessante verificar que o texto bíblico já no primeiro testamento, em relação à nação de Israel, contém advertências muito pertinentes sobre as consequências que adviriam com a imitação das nações vizinhas e com o surgimento de um grupo social ligado ao poder – reis, nobres, séquitos de servidores, exércitos, o comércio das armas, as vaidades públicas e privadas, etc.

                Invoca-se a verdade para mentir. Usa-se a verdade para impor um sistema mentiroso. Também o que é que se pode esperar de um sistema que há muito expulsou Deus, que vive mergulhado na secularismo e no laicismo, que rebaixou o homem à condição de animal mais evoluído (afinal onde é que está a evolução), que estabeleceu a ditadura do relativismo ético e do subjetivismo, que estabeleceu o coração como bússola, que legalizou o aborto, o casamento homossexual, a eutanásia, o suicídio assistido.

                No meu entender todo este esquema e estratégia tem apenas o fito de criar as condições para a federação da Europa e o domínio de algumas nações com a Alemanha à cabeça. O Presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso, já veio no dia 12 de setembro precisamente propor a criação de uma federação de estados nação. Segundo a minha compreensão da escatologia esta é uma etapa no processo do aparecimento do Anticristo, tendo em vista também o que está a acontecer com Israel desde a sua reconstituição como nação em 1948, a queda da União Soviética, o derrube do Muro de Berlim, o despertar da China como potência económica, etc. Ouvem-se cada vez mais vozes exprimindo a ideia de que é preciso acabar com o dinheiro e generalizar os movimentos eletrónicos.

                Esta crise é o pretexto e a forma de provocar nos cidadãos da Europa o desejo da sua unificação. A secularização, o laicismo, o despertamento espiritualista da nova era, o panteísmo que mais não do que o endeusamento da natureza e do homem que dela faz parte, farão o resto. O cenário continua a desenrolar-se. A História aproxima-se do seu fim. Um dia deste Jesus voltará como prometeu. As evidências mostram de uma forma cada vez mais nítida que só Ele pode pôr um ponto final na condição do homem sob o pecado.

                Biblicamente não acredito que o mundo tenha uma solução humanista seja ela política ou religiosa. Todos os idealismos e utopias têm soçobrado. Só o plano redentor de Deus através de Jesus Cristo, trará de volta a humanidade a “novos céus e nova terra em que habitará a justiça”.

                A sede de poder da parte dos homens e dos grupos sociais decorre e expressa a tentação de hostilidade a Deus que é apresentado de forma desfigurada como um ditador ou um déspota, um prepotente que esmaga e anula a Sua criatura. Foi esse o veneno da serpente no Jardim do Éden, ainda hoje continua a envenenar a alma humana.

                Deus confrontou o pecado de Adão e Eva, de Caim que assassinou o seu irmão, da abrupta decadência da humanidade que terminou com o dilúvio, no projeto de tocar os céus da torre de Babel, na opressão dos judeus tornados escravos na terra do Egito, nas vicissitudes pelas quais a própria nação de Israel como povo de Deus deixando de observar os princípios por Ele estabelecidos e que tinham uma expressão muito especial na observação do descanso sabático semanal, de sete em sete anos e no ano de jubileu de cinquenta em cinquenta anos. Apesar da natureza do homem inclinada para o mal e para a injustiça social, Deus estabeleceu princípios e valores que balizavam o comportamento do povo que Ele constitui e no qual haveria de nascer o Salvador – JESUS CRISTO! As consequências do desvio espiritual e ético tanto no plano individual como no plano social acabaram por levar à divisão da nação, e à sua conquista, domínio e até desaparecimento durante centenas de anos às mãos da Assíria, da Babilónia, dos Persas e dos Romanos (só para referir alguns).

                Deus agiu libertando o povo de Israel do Egito, conduzindo-os pelo deserto a caminho da Terra Prometida. Um dos episódios mais sugestivos da maneira como Deus tratou o povo teve lugar com o maná em que tanto a preguiça como a ganância eram sancionados. Outros dos episódios muito significativos está relacionado com a maneira como Deus antecipou o que iria acontecer com a pretensão do povo de Israel em ter um rei à semelhança das nações vizinhas. Todas estas narrativas encerram profundos ensinamentos de ordem sociopolítica, espiritual e ética.

                O contexto de Israel como nação constituída por Deus com um propósito muito definido não pode ser transposta para a Igreja que não se confunde com esse estatuto que acabou por ter na Igreja Católica Romana com a sua sede no Estado do Vaticano uma fatal concretização.

                A Igreja Universal não existe enquanto organização. Ela é apenas conhecida pelo Seu fundador e construtor – JESUS CRISTO! De forma visível o que existe são igrejas locais com formas de estruturação diversa, procurando pautar-se pelos princípios vertidos no Novo Testamento e expressos nas comunidades do primeiro século.

                Considero não ser possível suportar na Bíblia a defesa de um papel político, partidário ou não, por parte das igrejas. E embora se possa considerar que o exercício político é legítimo por parte dos cristãos como cidadãos, não é menos verdade que apesar de alguns casos marcantes de integridade existem inúmeros casos de corrupção que em muito afetaram a mensagem e o testemunho cristão.

                No meu entender o papel das igrejas em cada nação não é o de denunciarem e o de reivindicarem dos poderes públicos o exercício da justiça, do respeito pela vida humana e da proteção dos mais desfavorecidos. As igrejas enquanto comunidades são chamadas a serem e a fazerem a diferença antes de tudo o mais em relação aos seus membros. Considero que a igreja tem um papel único na sociedade seja em tempos de crise económica ou de prosperidade. As necessidades sempre existirão e faz parte da natureza das igrejas locais serem resposta. Essa resposta não é apenas financeira mas é acima de tudo a apresentação do evangelho como poder de Deus para a transformação da pessoa. Esse é o principal contributo da igreja e que mais ninguém pode fazer. Essa transformação tem um impacto tremendo na sociedade porque representa o ponto de partida para uma nova vida e implica o fim dos vícios, o empenho no desempenho da profissão, o cuidado pelo próximo a começar pela família, etc. Os membros da igreja acabam por ser um núcleo essencial de integração e de apoio no processo da formação de um carácter segundo Jesus Cristo.

                As igrejas locais não dependem do Estado e devem ter muito cuidado em desenvolver projetos em que fiquem cativos da intervenção estatal. Os prejuízos causados pela subsidiodependência tem sido muito negativa ao longo da História da Igreja e a tendência é que para que sejam esquecidos e voltem a repetir-se.

                Fazer parte de uma igreja local é ser parte do grupo que melhor contribui para que as coisas sejam de uma forma diferente. Na igreja local o importante são as pessoas e antes de todas elas está a pessoa de Jesus Cristo que nos mostra como somos amados por Deus, como existe esperança para todos e para cada um, como somos aceites e como é possível mudar.

                Agora isto não significa que a Bíblia silencie a denúncia das prepotências e arbitrariedades humanas dos responsáveis políticos em particular como dos cidadãos em geral. Vejamos alguns textos em que isso está bem expresso.

                Uma das exigências essenciais da Palavra de Deus é a intercessão pelos governantes. Não tenho dúvidas que esta é uma crise essencialmente espiritual. O que nós precisamos é retomar o arrependimento e a conversão bíblicas a que Jesus nos chama. Uma mudança de pressupostos, de mentalidade, de coração, de valores e princípios, de prioridades, de atitudes, de decisões. Este arrependimento e conversão também nos diz respeito a nós como cristãos e como igrejas locais. O materialismo e consumismo também tomaram conta de muitos corpos doutrinários ditos cristãos, e das estratégias e proclamações de muitos líderes. Os membros têm se esquecido porque não estudam pura e simplesmente a Bíblia e tornam-se dessa forma marionetes. O obscurantismo religioso é uma realidade. Só um conhecimento em primeira mão do texto bíblico num relacionamento pessoal com Jesus Cristo que nos leva ao Pai e nos concede o Espírito Santo, pode trazer uma verdadeira e genuína libertação.

 

                Deixamos aqui alguns textos bíblicos tanto no primeiro como no segundo testamentos, para reflexão e ação. A responsabilidade é de cada um de nós individual e pessoalmente.

 


 

OUVI O POVO CLAMAR POR LIVRAMENTO

Moisés escondeu o rosto, pois ficou com medo de olhar para Deus.

E o Eterno disse: “Faz tempo que venho observando a aflição do meu povo no Egito. Ouvi o povo clamar por livramento das mãos dos seus senhores e conheço muito bem o sofrimento dos israelitas. Agora desci para ajudá-los, para livrá-los do domínio do Egito, tirá-los daquele país e levá-los para uma terra boa, ampla, cheia de leite e mel, hoje habitada por cananeus, hititas, amorreus, ferezeus, heveus e jebuseus.

“O pedido de socorro dos israelitas chegou até mim, e eu mesmo tenho visto o tratamento cruel que eles recebem dos egípcios. Está na hora de você voltar; estou enviando você ao faraó para tirar o meu povo do Egito, o povo de Israel”.

(Êxodo 3:6-10 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)
 

 

A LIÇÃO DO MANÁ

            Julgo que é o único momento da História em que Deus estabelece um modelo de distribuição do pão que Ele mesmo dá e em que são contrariados simultaneamente a postura do preguiçoso, do ganancioso e do avarento. Cada um recebe e colhe o que precisa. Deixar de comer para guardar, com receio de que falte para o dia seguinte, não funciona, porque apodrece. Cada um tem de colher o que lhe é necessário. Se alguém fica na cama, o sol vai derreter a sua porção. Segundo o parecer dos entendidos ainda hoje o problema da humanidade não é que Deus não disponibilize, através da Sua criação, o suficiente para que todos tenham o que lhe é necessário. O problema é a ganância de uns e a preguiça de outros, a desigualdade exacerbada da avaliação das competências e capacidades individuais, a distribuição injusta das riquezas. A Igreja é chamada a ser um fator regulador e equilibrador na sua vivência como comunidade.

“Moisés explicou: ‘Isso é o pão que o Eterno providenciou para que vocês comessem, e estas são as instruções do Eterno. Juntem o suficiente para cada um, cerca de um jarro por pessoa. Recolham o bastante para cada indivíduo de sua tenda’.

O povo de Israel começou a recolher o alimento. Alguns juntaram mais, outros juntaram menos, mas, quando mediram o que haviam recolhido, não estava sobrando para os que haviam juntado mais nem faltando para os que haviam juntado menos. Cada um havia recolhido a medida necessária.

Moisés deu este aviso: ‘Não deixem sobrar nada para amanhã’.

Mas houve alguns que não obedeceram a Moisés e guardaram um pouco para o dia seguinte, e o que havia sido guardado ficou cheio de bichos e cheirava mal. Moisés perdeu a paciência com eles.

Eles recolhiam o alimento todas as manhãs, o necessário para cada um. Quando o sol ficava mais forte, ele se derretia. No sexto dia, juntaram o dobro de pão, cerca de dois jarros por pessoa.

Os líderes da comunidade foram relatar a mudança a Moisés.

E Moisés disse: ‘O que o Eterno falou foi o seguinte: ‘Amanhã é dia de descanso, sábado santo ao Eterno. Assem ou cozinhem hoje o que quiserem e guardem as sobras para amanhã’. Eles guardaram o que sobrou para o dia seguinte, conforme Moisés havia ordenado. E, dessa vez, o pão não cheirou mal nem criou bichos.

Moisés disse também: ‘Agora comam. Este é odia, o sábado do Eterno. Hoje vocês não acharão nada. Durante seis dias, deverão juntá-lo, mas o sétimo dia é o sábado, e não haverá alimento para recolher nesse dia’.

Mesmo assim, no sétimo dia alguns saíram para juntar o pão, mas não encontraram nada.

O Eterno disse a Moisés: ‘Até quando vocês vão ignorar minhas ordens e instruções? Será que não percebem que o Eterno deu o sábado a vocês? Foi essa a razão de eu ter dado no sexto dia suficiente para dois dias. Portanto, fiquem em casa no sábado. Ninguém saía no sétimo dia’.

E o povo deixou de trabalhar ao sétimo dia.

Os israelitas deram ao pão o nome de maná (O que é isso?). Ele era esbranquiçado e parecido com a semente do coentro. O gosto era de bolacha com mel.”

(Êxodo 16:16-31 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)


 

O ANO DO JUBILEU

Não conheço melhor forma de restabelecer o equilíbrio social e estancar a tendência humana para a desigualdade provocada por inúmeros fatores. Sugiro a leitura de Levítico 25 na totalidade. É simplesmente fantástico.

“Contem sete sábados de anos – sete vezes sete anos. Sete sábados de anos dão quarenta e nove. Depois, toquem a trombeta no dia 10 do sétimo ano, o dia da expiação. Toquem a trombeta por toda a terra. Santifiquem o quinquagésimo ano. Será um ano sagrado. Proclamem a liberdade por toda a terra a todos os que habitam nela. É o ano do jubileu para vocês: cada um voltará para a propriedade de sua família e se reunirá com a família inteira. O quinquagésimo ano é o ano do Jubileu: não semeiem, não colham o que a terra produzir nem colham as vinhas não podadas, porque é o ano do Jubileu, um ano sagrado para vocês. Comam apenas o que a terra produzir espontaneamente nos campos.

“’No ano do Jubileu, todos voltarão para casa, para a propriedade de sua família. (…)

“’A terra não poderá ser vendida de forma definitiva porque ela é minha, e vocês são estrangeiros – vocês são meus inquilinos. Tratem de garantir o direito de resgate de qualquer parte da terra que vocês possuem.

“’Se um de seus irmãos se tornar tão pobre que já não consiga se sustentar, ajudem-no, assim como fazem com o estrangeiro ou com o residente temporário, para que ele continue vivendo entre vocês. Não oprimam com juros. Por respeito ao seu Deus, ajudem seu irmão, para que ele continue vivendo entre vocês. Não tirem vantagem da situação difícil dele, cobrando juros abusivos sobre empréstimo, nem lhe emprestem comida, visando lucro. Eu sou o Eterno, que os tirou do Egito para dar a vocês a terra de Canaã e ser seu Deus. (…)

(Levítico 25 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)
“O GOVERNO DE DEUS É REJEITADO”

Quando o povo de Israel pediu um rei para os governar, à semelhança do que acontecia com as nações vizinhas, Deus tem palavras extremamente interessantes e sempre atuais em relação à classe política e às suas exigências de regalias e benesses que o povo haveria de pagar com esforço e até mesmo sacrifício. Vale a pena ler:

“Quando eles pediram um rei para governá-los, Samuel ficou abalado e orou ao Eterno.

O Eterno respondeu: ‘Vá em frente! Faça o que eles pedem. Eles não estão rejeitando você. O que não querem é que eu seja o rei deles. Desde que os tirei da terra do Egito até agora, eles agem assim, o tempo todo me abandonando para servir outros deuses. Agora estão fazendo isso com você. Por isso, deixe que recebam o que estão pedindo. Mas faça que entendam as consequências desse pedido. Mostre como um rei trabalha e como ele vai tratá-los’.

Samuel explicou com clareza as implicações de se ter um rei, como ordenou o Eterno: ‘Vou dizer como agirá o rei que vocês estão querendo. Ele recrutará seus filhos para seu exército, para os carros de guerra, para a cavalaria e infantaria, e os arregimentará em batalhões e esquadrões. Alguns serão submetidos a trabalhos forçados nas terras dele. Outros serão designados para fabricar armas e equipamentos para os carros. Ele convocará suas filhas para trabalhar como estilistas, copeiras e cozinheiras. Ele confiscará as melhores lavouras, vinhas e pomares de vocês para entregá-las a seus protegidos. Ele cobrará impostos da produção das lavouras e vinhas de vocês para manter a máquina governamental. O melhor da mão de obra e dos animais de vocês ele usará para benefício próprio e cobrará impostos sobre os rebanhos. Vocês não serão muito diferentes dos escravos. Um dia, vocês vão chorar de desespero por causa desse rei que tanto desejam agora. Mas não pensem que o Eterno ouvirá vocês’.

Mas o povo não deu atenção a Samuel. Eles insistiam: ‘Não estamos preocupados com isso! Queremos um rei para nos governar! Queremos ser como os outros povos. Nosso rei governará sobre nós, será o nosso líder e comandará nossas tropas na guerra’.

Samuel ouviu a resposta deles e relatou tudo ao Eterno. O Eterno disse a Samuel: ‘Faça o que eles pedirem. Nomeie um rei sobre eles’.”

(1 Samuel 8:6-22 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 


 

A DIVISÃO DE ISRAEL

Mais tarde quando Salomão morre o povo estava numa situação insustentável. Já não podiam apertar mais o cinto. Eles apelaram ao bom senso de Roboão, filho de Salomão e seu sucessor, mas este não ouviu o conselho dos mais velhos e experientes do reino, mas dos mais novos e o desastre aconteceu. Segundo o relato de 1 Reis 11, Deus estava soberanamente dirigindo os acontecimentos e a causa estava ligada ao facto de as mil mulheres tomadas de várias nações terem levado Salomão a desviar-se de Deus e a seguir outros deuses.

“Roboão foi para Siquém, onde todo o Israel tinha se reunido para coroá-lo rei. Jeroboão estava no Egito, onde tinha se exilado por causa de Salomão. Mas, quando soube da morte de Salomão, ele voltou.

Roboão reuniu-se com Jeroboão e todo o povo. Disseram a Roboão: ‘Seu pai foi muito severo conosco. Sempre tivemos de trabalhar pesado, sem descanso. Alivie a nossa carga de trabalho e peso de obrigações, e nos submeteremos ao senhor de bom grado’.

‘Peço que me deem três dias para pensar e, então, dou resposta a vocês’, propôs Roboão.

O rei Roboão perguntou aos que haviam sido conselheiros de seu pai, Salomão: ‘O que me dizem? O que me aconselham responder a esse povo?’.

Eles responderam: ‘Se o senhor quiser servir ao povo, procure entender as necessidades deles e tenha compaixão. Se o senhor fizer o que estão pedindo, não há dúvida de que eles farão qualquer coisa pelo senhor’.

Mas Roboão fez pouco caso do conselho daqueles homens experientes e perguntou aos jovens com quem ele tinha crescido e que agora tinham interesse em ajudá-lo: ‘O que acham? O que devo dizer a esse povo, que está pedindo: ‘Alivie a carga pesada de trabalho que seu pai impôs a nós’?

Seus jovens amigos responderam: ‘Diga a esse povo que está reclamando que seu pai foi muito severo com eles: ‘Meu dedo mínimo é mais grosso que a cintura do meu pai. Se vocês acham que a vida estava difícil no reinado de meu pai, ainda não viram nada. Meu pai castigou vocês com chicotes, mas eu vou castigá-los com correntes!’.

Três dias depois, Jeroboão e o povo voltaram, como Roboão os havia instruído: ‘Peço que me deem três dias pensar; depois, voltem’. A resposta do rei foi curta e grossa. Ele desprezou o conselho dos oficiais experientes. Preferiu seguir o conselho dos jovens amigos: ‘Se vocês acham que a vida no reinado de meu pai era difícil, ainda não viram nada. Meu pai castigou vocês com chicotes, mas eu vou castigá-los com correntes!’.

Roboão não quis ouvir o povo. O Eterno estava por trás disso, confirmando a mensagem que ele tinha dado a Jeroboão, filho de Nebate, por intermédio de Aías, de Siló.

Quando Israel percebeu que o rei não estava disposto a atender às suas reivindicações, gritaram palavras de ordem:

‘Já chega de Davi!
Não queremos mais saber do filho de Jessé!
Vamos embora, Israel! Vamos depressa!
De agora em diante, Davi que vá cuidar da sua própria vida.’

Com isso, o povo foi embora. Mas Roboão continuou governando sobre os habitantes das cidades de Judá.

O rei Roboão pediu que Adonirão, encarregado dos trabalhos forçados, fosse falar com os israelitas, mas eles o apedrejaram, e ele morreu. O rei Roboão subiu no seu carro e fugiu para Jerusalém, sem perda de tempo. Assim os israelitas se rebelam contra a dinastia de Davi e permanecem assim até hoje.”

(2 Crónicas 10 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 


 

UM SALMO DE ASAFE

Deus convoca os juízes para seu tribunal,

põe todos eles no banco dos réus.

“Basta! Vocês corromperam a justiça por muito tempo,

permitiram que os ímpios saíssem ilesos de assassinatos.

Vocês estão aqui para defender os indefesos,

para assegurar que os prejudicados tenham uma oportunidade de justiça.

O trabalho de vocês é proteger os fracos,

perseguir os que os exploram.”

Juízes ignorantes, que nada enxergam,

Vocês não têm ideia do que está acontecendo!

E agora tudo está desmoronando,

As coisas estão saindo do controle.

“Dei a cada um de vocês, juízes,

A incumbência de representar o Deus Altíssimo,

Mas vocês traíram a minha confiança

e agora foram exonerados do posto”.

Ó Deus, dá a eles o deserto que merecem,

pois tens o mundo inteiro nas mãos!

 

(Salmo 82; paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 
 

"Ai de vocês que estão mergulhando de cabeça no desastre!
A catástrofe está aí, é só dobrar a esquina!
Ai dos que vivem no luxo
e esperam que todos os outros os sirvam!
Ai dos que vivem só para hoje,
indiferentes à sorte dos outros.
Ai dos "mauricinhos" e "patricinhas",
que acham que a vida é uma festa preparada só para eles!
Ai dos que são viciados em se sentir bem - a vida sem dor!
Os que são obcecados pela boa aparência - a vida sem rugas!
Eles não se importam nem um pouquinho
com seus país, que está à beira da ruína.
(Amós 6:3-6 - paráfrase "A Mensagem", Eugene H. Peterson, Editora Vida)é uma diferença marcante em relação à ação dos profetas para com a nação de Israel.
Não podemos porém ignorar que Deus condena a injustiça de forma muito clara e transparente e que o arrependimento envolve esta dimensão social.
Uma vez mais damos a palavra a Amós:
"Ai de vocês que estão mergulhando de cabeça no desastre!
A catástrofe está aí, é só dobrar a esquina!
Ai dos que vivem no luxo
e esperam que todos os outros os sirvam!
Ai dos que vivem só para hoje,
indiferentes à sorte dos outros.
Ai dos "mauricinhos" e "patricinhas",
que acham que a vida é uma festa preparada só para eles!
Ai dos que são viciados em se sentir bem - a vida sem dor!
Os que são obcecados pela boa aparência - a vida sem rugas!
Eles não se importam nem um pouquinho
com seus país, que está à beira da ruína.
(Amós 6:3-6 - paráfrase "A Mensagem", Eugene H. Peterson, Editora Vida)
ESTE TEXTO DE ISAÍAS É AVASSALADOR E TREMENDAMENTE ATUAL

A igreja é chamada a envolver-se com os mais necessitados principalmente os domésticos da fé. Esta é a diferença que podemos assumir em relação às políticas materialistas, que acentuam as injustiças e as desigualdades, entre os que vivem do seu trabalho, e os que vivem dos juros do dinheiro que detém, sabe lá Deus conseguido de que formas. Ter dinheiro não é pecado. Pecado é não considerar que Deus é dono de tudo e nós devemos ser mordomos e despenseiros segundo o Seu coração generoso.

“Grite! Grite a plenos pulmões!
Não se contenha: que seja um grito como de trombeta!
Diga ao meu povo o que está errado com a vida deles,
confronte a família de Jacó com seus pecados!
Eles estão sempre muito ocupados com a adoração,
e têm prazer em estudar tudo sobre mim.
Na aparência, são uma nação de pessoas de vida reta:
obedecem à lei, honram Deus.
Eles me perguntam: ‘Qual a coisa certa a fazer?’
e gostam de me ter a seu lado.
Mas eles também se queixam:
‘Por que jejuamos e não nos favoreces?
Por que nos humilhamos e nem percebes?’
“Bem, aqui está a razão:
“A razão principal dos seus dias de jejum é o lucro.
Vocês oprimem seus empregados.
Vocês jejuam, mas ao mesmo tempo discutem e brigam.
Vocês jejuam, mas acabam se enfrentando a socos.
O tipo de jejum que fazem
não fará que suas orações passem do teto.
Acham que este é o tipo de dia de jejum que eu espero:
um dia especial para demonstração de humildade?
Um dia para pôr a máscara da piedade
e desfilar solenemente em roupa preta por aí?
Vocês chamam isto de jejum:
separar um dia para que eu, o Eterno, tenha prazer?
“Este é o tipo de jejum que eu quero ver:
quebrem as correntes da injustiça,
acabem com a exploração no trabalho,
libertem os presos,
cancelem as dívidas.
O que espero que façam é:
repartam a comida com os famintos,
convidem os desabrigados para casa,
coloquem roupa nos maltrapilhos que tremem de frio,
estejam disponíveis para sua família.
Façam isso, e as luzes se acenderão,
e sua vida será mudada na hora.
Sua justiça irá pavimentar seu caminho.
O Eterno de glória vai garantir sua passagem.
Então, quando vocês orarem, o Eterno responderá.
Vocês clamarão por ajuda, e eu direi: Aqui estou.”
“Se vocês eliminarem as injustiças,
pararem de culpar as vítimas,
cessarem de fazer fofocas sobre os pecados dos outros.
Forem generosos com os famintos
e começarem a se dedicar aos oprimidos e marginalizados.
Sua vida começará a brilhar na escuridão,
sua vida sombria será banhada na luz do Sol.
E sempre mostrarei a vocês o melhor caminho.
Darei a vocês vida plena até num lugar vazio -
músculos firmes, ossos fortes.
Vocês serão como um jardim bem regado,
uma fonte viva que nunca seca.
Vocês usarão o entulho do passado para construir de novo,
reconstrução sobre os antigos alicerces da sua vida.
Vocês serão conhecidos como aqueles que reparam qualquer coisa,
restauram ruínas antigas, reconstroem e renovam,
tornam a comunidade habitável outra vez.
“Se vocês tomarem cuidado com o que fazem no sábado
e não usarem meu dia sagrado para cuidar de interesses pessoais.
Se tratarem o sábado como um dia de alegria,
o dia santo do Eterno como uma celebração.
Se o honrarem, recusando-se a fazer ‘os negócios de sempre’,
a ganhar dinheiro, a correr aqui e ali.
Então, estarão livres para ter prazer no Eterno!
Oh, eu os farei levantar voo e voar alto acima de tudo.
Eu os farei festejar a herança do seu antepassado Jacó”,
é o Eterno quem diz.”

(Isaías 58 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 

 


 

VIVER À LUZ DA PALAVRA PROFÉTICA SOBRE UM NOVO FUTURO

            Quem conhece a Palavra de Deus sabe que a injustiça da acumulação da riqueza nas mãos de uns poucos, a desigualdade na distribuição dos recursos, a negligência dos bens que Deus nos concede e a a preguiça não têm futuro. Chegará o dia em que Deus vai fazer novas todas as coisas, e cada um terá uma árvore sob cuja sombra poderá descansar e um jardim para cuidar.

“Ele estabelecerá justiça nas nações mais conturbadas
e resolverá disputas em lugares distantes.
Trocarão as espadas por pás,
as lanças, por rastelos e enxadas.
As nações vão parar de guerrear umas contra as outras,
não vão mais aprender a matar umas às outras.
Cada homem poderá sentar-se debaixo da sombra de sua árvore,
e cada mulher cuidará em paz do próprio jardim.
O Senhor dos Exércitos de Anjos diz isso,
e ele quer dizer isso mesmo.”
(Miqueias 4:3,4 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 
 

“A VERDADE NUA E CRUA NUNCA É AGRADÁVEL”

Na linha de muitos comentadores bíblicos não considero que seja possível extrapolar e transferir a ação dos profetas do Antigo Testamento em relação à nação de Israel e às nações vizinhas, para o contexto do Novo Testamento da Igreja como um todo, das comunidades locais ou de cada membro individual.

A nação de Israel tinha um estatuto muito singular como povo escolhido, como nação dentro do plano da salvação, como testemunho e influência para as nações vizinhas (no que fracassaram rotundamente).

Ainda assim não podemos deixar de registar e ter presente as palavras de Deus sobre todos os aspetos das mensagens transmitidas em particular no que diz respeito às desigualdades sociais, à injustiça, à exploração. O povo de Israel tinha princípios muito bem definidos que estabeleciam o equilíbrio e a estabilidade social dos quais se destaca o descanso sabático semanal e de sete em sete anos, e o ano de jubileu a cada 50 anos. Esta prática deveria repor periodicamente as bases de uma convivência fraterna e os princípios de igualdade de oportunidades, opondo-se drasticamente a uma degradação insustentável da ganância por um lado e da preguiça, bem como de outros fatores desiquilibradores.

“Sei, bem, vocês odeiam esse tipo de conversa.
A verdade nua e crua nunca é agradável, não é?
Mas aqui está, sem meias palavras:
vocês atropelam os pobres sem dó nem piedade
e tiram o pão da boca deles.
Por isso, nunca vão mudar
para as casas luxuosas que construíram.
Vocês nunca vão beber o vinho
Dos vinhedos dispendiosos que plantaram.
Conheço exatamente a extensão das suas violações,
a enormidade dos seus pecados. E são de arrepiar!
Vocês, que tentam parecer bons cidadãos,
aceitam propinas a torto e a direito e chutam os pobres quando estão por baixo.
A justiça é uma causa perdida. O mal virou epidemia.
Cidadãos decentes levantam os braços em desespero.
O protesto e a censura são inúteis,
um desperdício de oxigénio.
Busquem o bem, não o mal -
e vivam!
Vocês falam do Eterno, o Senhor dos Exércitos de Anjos,
como se ele fosse seu melhor amigo.
Então, vivam de acordo com isso,
e talvez isso venha a acontecer.”
(Amós 5:10-14 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)


 

“É HORA DE ENCARAR A DURA REALIDADE”

Ignorar que a plenitude e a consumação só terá lugar na eternidade com Deus, nas moradas que Jesus foi preparar é desconhecer o evangelho e a mensagem de Jesus.
Mas a prática cristã envolve o cuidado pelas pessoas, entre elas os mais carenciados.
A Palavra de Deus através de Amós é perturbadora e ainda hoje tem a sua atualidade. A Igreja não é a nação de Israel, mas Deus é o mesmo. Na sociedade em crise espiritual e moral em que vivemos temos que ser sal e luz, brilhar e dar sabor, expulsar as trevas e dignificar a vida e a pessoa.

"Não suporto os encontros religiosos de vocês.
Estou cheio dos seus congressos e convenções.
Não me interessam seus projetos religiosos.
Seus lemas e alvos presunçosos.
Estou enojado das suas estratégias para levantar fundos,
das suas táticas de relações públicas e criação da própria imagem.
Não suporto mais sua barulhenta música de culto ao ego.
Quando foi a última vez que vocês cantaram para mim?
Alguém aí sabe o que eu quero?
Eu quero justiça - um mar de justiça.
Eu quero integridade - rios de integridade.
É isso que eu quero. Isso é tudo que eu quero."
(Amós 5:21-24 - paráfrase "A Mensagem", Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 
 

UM MERGULHO DE CABEÇA NO DESASTRE

O papel da igreja é ser evidência da graça transformadora de Deus, sem iludir o facto de que existem falhas, vulnerabilidades, equívocos, omissões, desobediências, ... Não somos perfeitos. Só Jesus o foi e o é - esta é a verdade que o evangelho declara.
A Igreja é porta-voz do poder de Deus que é o evangelho para a salvação do que crê. Esta é a sua missão prioritária, não a crítica política. Esta é uma diferença marcante em relação à ação dos profetas para com a nação de Israel.

Não podemos porém ignorar que Deus condena a injustiça de forma muito clara e transparente e que o arrependimento envolve esta dimensão social.

“Ai de vocês que estão mergulhando de cabeça no desastre!
A catástrofe está aí, é só dobrar a esquina!
Ai dos que vivem no luxo
e que esperam que todos os outros os sirvam!
Ai dos que vivem só para hoje,
indiferentes à sorte dos outros.
Ai dos que “mauricinhos” e “patricinhas”,
que acham que a vida é uma festa preparada só para eles!
Ai dos que são viciados em se sentir bem – a vida sem dor!
Os que são obcecados pela boa aparência – a vida sem rugas!
Eles não se importam nem um pouquinho
com seu país, que está à beira da ruína.”
(Amós 6:3-6 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 
 

A FORMAÇÃO DO POVO DE DEUS

Mas, quando tudo tiver sido dito e feito,

o templo do Eterno, no monte,

Estabelecido em definitivo, vai dominar as montanhas.

elevando-se acima de todas as colinas da região.

O povo vai afluir em massa para o templo,

e muitas nações farão excursões para conhecê-lo.

Dizendo: “Vamos subir o monte do Eterno,

Vamos ao templo do Deus de Jacó.

Ele vai nos mostrar como devemos viver.

Vamos conhecer o tipo de vida que Deus quer”.

O verdadeiro ensino sairá de Sião,

A revelação do Eterno virá de Jerusalém.

Ele estabelecerá justiça nas nações mais conturbadas

e resolverá disputas em lugares distantes.

Trocarão as espadas por pás;

as lanças, por rastelos e enxadas.

As nações vão parar de guerrear umas com as outras,

não vão mais aprender a matar umas às outras.

Cada homem poderá sentar-se debaixo da sombra de sua árvore,

e cada mulher cuidará em paz do próprio jardim.

O Senhor dos Exércitos de Anjos diz isso,

e ele quer dizer isso mesmo.

(Miqueias 4:1-4 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)
 

 

UM PRONUNCIAMENTO À CIDADE  

Mas ele já deixou claro como devemos viver: o que fazer,

o que ele procura em homens e mulheres.

É muito simples: Façam o que é correto e justo ao próximo,

sejam compassivos e leais em seu amor

E não se levem tão a sério –

levem o Eterno a sério.

Atenção! O Eterno está fazendo um pronunciamento à cidade!

Se sabem o que é bom para vocês, tratem de ouvir.

Ouçam, todos vocês!

O assunto é sério.

“Vocês esperam que eu faça vista grossa para a riqueza obscena

acumulada por meio de trapaças e fraudes?

Pensam que vou tolerar negócios obscuros

e planos maquiavélicos?

Estou cansado dos ricos violentos

que forçam a passagem com blefes e mentiras.

Estou cheio! Acabou a farra de vocês!

Vocês vão pagar pelos seus pecados, até o último centavo.

Não importa quanto ajuntem, nunca é suficiente –

estômago oco, coração vazio.

Não importa quanto se esforcem, não vão ter nada para mostrar –

vida falida, alma desperdiçada.

Vocês vão plantar grama,

mas nunca terão um gramado.

Vocês vão fazer geleia,

mas nunca a passarão no pão.

Vocês vão espremer laranjas,

Mas não beberão seu suco.

Vocês têm vivido segundo os padrões do seu rei, Onri,

o estilo de vida decadente da família de Acabe.

Vocês seguem o manual deles cegamente,

por isso vou levá-los à falência.

Seu estilo de vida vai virar chacota: uma piada sem graça.

Sua maneira de viver será considerada fútil e falsa.”

(Miqueias 6:8-16 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida) 
 

 

AS OVELHAS E OS BODES

Quando finalmente vier, numa aura de esplendor, e seus anjos com ele, o Filho do Homem irá assentar-se em seu trono glorioso. Todas as nações estarão diante dele, e ele irá separar o povo, como o pastor separa as ovelhas e os bodes – aquelas à sua direita, estes à sua esquerda.

O Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Entrem, vocês que são abençoados por meu Pai! Tomem posse do que está reservado para vocês no Reino desde a fundação do mundo. E esta é a razão:

Eu estava com fome, e vocês me alimentaram;

Eu estava com sede, e vocês me deram de beber;

Eu estava sem casa, e vocês me deram um quarto;

Eu estava com frio, e vocês me deram agasalho;

Eu estava doente, e vocês me visitaram;

Eu estava preso, e vocês vieram me ver.

“Então, as ‘ovelhas’ vão dizer: ‘Mestre, do que estás falando? Quando foi que te vimos com fome e te alimentamos, sedento e te demos de beber? E quando foi que te vimos doente ou preso e fomos te visitar?’. O Rei dirá: ‘Afirmo esta verdade solene: toda vez que vocês fizeram essas coisas e algum marginalizado ou excluído, aquele era eu – estavam ajudando a mim.

“Depois ele se voltará para os ‘bodes’, à sua esquerda, e dirá: ‘Saiam, seus inúteis! Vocês não prestam para nada, a não ser para o fogo do inferno. E sabem por quê? Porque –

Eu estava com fome, e vocês não me deram comida;

Eu estava com sede, e vocês não me deram de beber;

Eu estava sem casa, e vocês não me deram uma cama;

Eu estava com frio, e vocês não me agasalharam;

Eu estava doente e preso, e vocês nunca me visitaram.

“Os ‘bodes’, então, dirão: ‘Mestre, do que estás falando? Quando foi que te vimos com fome, com sede, com frio, doente ou na cadeia e não te ajudamos?’.

“Ele responderá: ‘Afirmo esta verdade solene: toda vez que vocês deixaram de fazer uma dessas coisas a algum marginalizado ou excluído, aquele era meu – deixaram de ajudar a mim.

“Então, os ‘bodes’ serão conduzidos à condenação eterna, mas as ‘ovelhas’ à recompensa eterna”.

(Mateus 25:31-46 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)


 

AMEM DE VERDADE

Amem de verdade, não de maneira fingida. Evitem o mal ao máximo; apeguem-se ao bem como puderem. Sejam bons amigos, que amam profundamente; não procurem estar em evidência.

Não se deixem esgotar: mantenham-se animados e dispostos. Sejam servos vigilantes do Senhor, com uma expetativa alegre. Não desistam em tempos difíceis, mas orem com fervor. Ajudem os cristãos necessitados e pratiquem a hospitalidade.

Abençoem os inimigos; não haja maldição em suas palavras. Riam quando seus amigos estiverem alegres; chorem com eles quando estiverem tristes. Ajudem-se uns aos outros. Não sejam arrogantes. Façam amigos entre as pessoas mais simples; não se julguem importantes.

Não revidem. Descubram a beleza que há em todos. Se você a descobriu em você, faça o mesmo com todos. Não insistam na vingança; ela não pertence a vocês. “Eu vou julgar. Eu vou cuidar disso”, diz Deus.

As Escrituras recomendam que, se você vir seu inimigo com fome, ofereça-lhe um bom almoço; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Sua bondade irá surpreende-lo. Não permita que o mal vença em sua vida, mas vença o mal com a prática do bem.

(Romanos 13:9-21 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 

Eis como dar a volta às crises por dentro da comunidade dos discípulos de Jesus, mesmo sofrendo os cortes da austeridade e não deixando de apelar aos responsáveis políticos para o respeito devido à vida e à dignidade da vida humana - homens e mulheres, crianças e idosos, não são números nem objetos descartáveis - são pessoas criados à imagem e semelhança de Deus!
 

 

UM CIDADÃO RESPONSÁVEL

Sejam bons cidadãos. Todos os governos estão abaixo de Deus. Se há paz e ordem, é ordem de Deus. Então, vivam de modo responsável como cidadãos. Se forem irresponsáveis para com o Estado, estarão sendo irresponsáveis para com Deus, e Deus pedirá constas disso. As autoridades constituídas só serão uma ameaça se desobedecerem. Os cidadãos não têm o que temer.

Querem estar em boa situação com o governo? Sejam cidadãos responsáveis, e o governo trabalhará a seu favor. Mas, se vocês desobedecem às leis o tempo todo, cuidado! Os guardas não estão aí apenas para serem admirados por seus uniformes. Deus também tem interesse em manter a ordem, e os usa para isso. Portanto, vivam com responsabilidade- não apenas para evitar a punição, mas por ser a maneira certa de viver.

É por isso, também, que vocês pagam impostos – para que a ordem seja mantida. Cumpram suas obrigações como um cidadão. Paguem seus impostos. Paguem suas contas. Respeitem seus superiores.

(Romanos 13:1-7 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 
 

UM PEDIDO

Apenas acrescentaram um pedido: que nos lembrássemos dos pobres, o que é meu desejo profundo.”

(Gálatas 2:10 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 
 

RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO

Empregados, obedeçam a seus patrões e tenham respeito por eles. Eles são senhores de vocês na terra, mas a obediência no final das contas é ao verdadeiro senhor: Cristo. Não trabalhem por obrigação, mas trabalhem de coração, como servos de Cristo, fazendo o que Deus quer. Trabalhem com um sorriso no rosto, tendo sempre em mente que não importa de quem venham as ordens, pois vocês estão servindo a Deus. O bom trabalho resulta em boa retribuição da parte do Senhor, sejam vocês escravos ou livres.

Patrões, o mesmo vale para vocês. Não se aproveitem nem façam ameaças. Vocês e seus empregados estão abaixo do mesmo Senhor no céu. Saibam que ele não faz distinção entre vocês.

(Efésios 6:1-9 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)
 

 

TRABALHAR PARA AJUDAR

Vocês costumavam roubar para levar vantagem? Não façam mais isso. Arrumem um emprego decente, até mesmo para poder ajudar os que não têm condições de trabalhar.

(Efésios 6:28 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)


 

A PRIORIDADE NÚMERO UM

A primeira coisa que quero que você faça é orar. Ore como souber, por todos os que você conhece. Ore, especialmente, pelos líderes e seus governos, para que governem bem, de modo que estejamos tranquilos quanto à nossa vida simples, em contemplação humilde. É assim que o Deus Salvador quer que vivamos.

Ele quer que não somente nós, mas todos, sejam salvos e conheçam a verdade que nós aprendemos que existe um Deus, apenas um, e um Sacerdote- Mediador entre Deus e nós – Jesus, que se ofereceu em resgate por todos os prisioneiros do pecado para libertá-los. Pouco a pouco, as notícias vão se espalhando, e esta tem sido minha única tarefa: levar essas notícias aos que nunca ouviram nada a respeito de Deus e explicar como a Mensagem opera – pela fé simples e pela verdade singela.

Considerando que a oração está na base de tudo isso, o que mais quero é que os homens orem, em vez de ficar brigando, como inimigos, e levantem mãos santas para Deus. (…)

(1 Timóteo 2:1-8 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 

SEMPRE PRONTOS

Estejam bem uns com os outros, unidos pelo amor, sempre prontos para oferecer uma refeição ou uma pousada, se alguém precisar. Pois alguns receberam anjos em casa, sem o saber! Tratem os prisioneiros como se estivessem presos com eles. Cuidem das vítimas de abuso como se o que aconteceu com elas tivesse acontecido a vocês. Honrem o casamento e mantenham a pureza sexual entre marido e esposa. Deus não aprova os exo casual e ilícito.

Não fiquem obcecados por adquirir bens materiais. Estejam satisfeitos com o que já possuem. Pois, considerando que Deus nos assegurou: “Não vou permitir que vocês caiam, nunca vou abandonar vocês”, poderemos corajosamente citar:

Deus está pronto para nos ajudar;

Não tenho medo de nada.

Quem ou o que pode me atingir?

(Hebreus 13:1-4 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 

Como seguidores de Jesus Cristo não podemos perder de vista que existe muita vida para além do que é visível. O sobrenatural é tão real quanto o natural, e é o natural que depende do sobrenatural e não ao contrário. Se perdermos isto de vista deixámos de ser de Jesus. Ele viveu no natural inundado e inundando tudo à Sua volta com o sobrenatural. Quando os recursos aqui escasseiam e se gastam, no sobrenatural eles abundam e se multiplicam. Para lá da crise existe o sobrenatural de Deus para nós e em nós.

 


 

COMPARTILHEM

Não pensem que, por achar que tudo está resolvido, poderão se tornar preguiçosos e não fazer mais nada pelo bem comum. Não. Compartilhem o que têm com os outros. Deus tem prazer especial em atos de culto – um tipo diferente de “sacrifício” – que tem lugar na cozinha, no local de trabalho ou na rua.

(Hebreus 13:16 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 

O sagrado, a vida cristã, o ministério a tempo inteiro é para todos indistintamente do pastor a cada um dos membros. Seja na rua, em casa ou na empresa a nossa vida é o nosso ministério, e as pessoas à nossa volta são o nosso "campo de missão". Todo o serviço é serviço para Deus quando é feito em Seu nome e na Sua dependência.
 

 

FAZER O BEM

Portanto, não se cansem de fazer o bem. No tempo certo, teremos uma boa colheita, se não nos desesperarmos nem desistirmos. Cada vez que tivermos chance, trabalhemos para benefício de todos, a começar pelos mais próximos de nós na comunidade de fé.

(Tiago 6:9,10 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)


 

“A COBIÇA POR DINHEIRO”

Uma vida consagrada traz lucro, mas esse lucro é a rica simplicidade de ser você mesmo na presença de Deus. Considerando, então, que entramos no mundo sem um centavo e que sairemos dele sem nada, se temos pão na mesa e sapatos nos pés, é o bastante.

Mas o líder que está apenas atrás de dinheiro se destruirá rapidamente. A cobiça por dinheiro traz problemas, apenas problemas. Depois de entrar por esse caminho, alguns se desviam inteiramente da fé e amargam seu arrependimento pelo resto da vida.

(1 Timóteo 6:6-10 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 


 

“AOS RICOS NA RIQUEZA DESTE MUNDO”

Diga aos ricos na riqueza deste mundo que deixem de lado a empáfia e a obsessão por dinheiro, que está aqui hoje e desaparece amanhã. Diga-lhe que busquem Deus que ajunta muitas riquezas que jamais conseguiríamos administrar, e façam o bem, para que sejam ricos em ajudar os outros e sejam para lá de generosos. Se agirem assim, irão ajuntar um tesouro que vai permanecer e ainda obterão a vida que é verdadeira vida.

(1 Timóteo 6:17-19 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)

 
 

“RIQUEZA DA CORRUPÇÃO. CHEIRO DE PODRIDÃO.”

Uma palavra final para vocês, ricos arrogantes: comecem a chorar. Preparem baldes para as lágrimas que irão derramar quando a calamidade chegar.

O dinheiro de vocês é pura corrupção, e suas roupas de marca cheiram a podridão. O luxo de vocês é um câncer que corrói por dentro. Vocês pensam que estão ajuntando riquezas, mas o que estão acumulando é juízo divino.

Todos os trabalhadores que vocês exploram e enganam estão clamando por justiça. As queixas dos que vocês prejudicaram e manipularam ressoam nos ouvidos do Senhor, o Vingador. Vocês saqueiam a terra e se sentem bem com isso. Mas, no fim de tudo, morrerão como todo mundo, apenas muito mais gordos. De fato, tudo que vocês fazem é condenar e matar gente boa e indefesa, que não oferece resistência.

(Tiago 5:1-6 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)